sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Para além dos Jardins de Infância

Imagens da obra de Francesco Tonucci: "Com Olhos de Criança"

Idealizado e criado pelo pedagogo alemão Friedrich Wilhelm August Froebel, os jardins de infância, deveriam ser locais de proteção e cuidados. As crianças eram consideradas o gérmen da humanidade e necessitavam, desde pequeninas, dos cuidados como em um jardim, por isso o nome Kindergarten. A expressão se impôs em todo o mundo, inclusive no inglês. As crianças eram consideradas plantinhas de um jardim, cujo jardineiro era o professor. Longe de pretender qualquer questinamento, até porque suas idéias continuam vivas e são referências para o trabalho educativo com crianças pequenas ainda hoje, me coloco a pensar se Froebel estivesse vivo nos dias de hoje. Talvez ele falasse mais da curiosidade das crianças numa era que se intitula tecnológica, numa era em que as crianças não brincam mais de bulica, queimada, pular corda, passar anel, carrinho de rolimã... mas que brincam com modernos vídeo games, passam horas em frente à televisão, acompanham notíciários, acessam internet e são capazes de discutir com propriedade vários assuntos. Talvez ele enfatizasse mais o papel do professor e da escola de educação infantil em tempos de novas concepções de criança, família conhecimento, sociedade.


O que estou pretendendo dizer e que considero preocupante é a forma como algumas escolas e/ou professores vêem a educação infantil. Fruto de uma má interpretação e de raciocínios simplistas sobre o que significa a educação na infância algumas destas passam a incorporar de fato a idéia de criança como uma florzinha que carece apenas de cuidados e de alguns poucos ensinamentos, que muitas vezes acabam virando mais ocupações do que propriamente, aprendizado, horas de trabalho árduo: bolinhas de papel, massa de modelar, máscaras de coelhinhos, saci, ou seja lá o que for.

O que se tem verificado, na prática, é que tanto os cuidados como a educação têm sido entendidos de forma muito estreita. Cuidar, tem significado, na maioria das vezes, realizar as atividades voltadas para os cuidados primários. Mais que isso, é necessário criar ambientes alegres, bem aparelhados, organizados para oferecer experiências instigantes e desafiadoras, adequadas às crianças de cada idade.

Froebel defendia uma educação sem obrigações para as crianças, que, para ele, aprendiam conforme seus interesses e por meio da prática.
O caminho para isso seria deixar a criança livre para expressar seu interior e perseguir seus interesses. Froebel adotava, assim, a idéia contemporânea do "aprender a aprender". Para ele, a educação se desenvolve espontaneamente. Quanto mais ativa é a mente da criança, mais ela é receptiva a novos conhecimentos. O ponto de partida do ensino seriam os sentidos e o contato que eles criam com o mundo. Portanto, a educação teria como fundamento a percepção, da maneira como ela ocorre naturalmente nos pequenos.

A criança pequena necessita de atenção, cuidados e proteção sim, mas precisa também de um espaço de pesquisa, de construção de conhecimentos, de uma escola que dê vazão para suas idéias e igualmente para suas dúvidas, curiosidades e interesses de uma forma lúdica e atrativa. Questiono porém, um outro viés, igualmente equivocado onde professores de educação infaltil, forçosamente inserem as crianças em processos de alfabetização ou numeralização precoces, num falso discurso que esta ocorre de forma espontânea. São comuns aí as atividades com lápis e papel, os trabalhos realizadas na mesa, o cerceamento do corpo, as rotinas repetitivas, pobres e empobrecedoras, desconsiderando-se uma fase em que predominam o sonho, a fantasia, a afetividade, a brincadeira.... Acredito que o ato de escrever deve ser cultivado e não imposto, pois é necessário que as letras se tornem elementos da sua vida, da mesma maneira que a fala, mas acredito principalmente que qualquer que seja a proposta esta deve respeitar a maturidade, a necessidade e se tornar objeto de prazer e interesse da criança.

Que tenhamos consciência da nossa importância enquanto educadores da infância e, reconheçamos que a sabedoria não se encontra no topo de um curso de pós-graduaçao, mas no montinho de areia da escola de todo dia. Não conheço a autoria, mas tem uma reflexão narrada por Pedro Bial que acho bastante interessante: JARDIM DE INFÂNCIA

domingo, 6 de janeiro de 2008

Espanhóis lançam a primeira boneca com síndrome de down

Aparentemente é uma boneca normal, mas quem prestar mais atenção notará os traços típicos de bebês com síndrome de down. O primeiro brinquedo com essas características se chama Baby Down e é uma das novidades de sucesso do mercado espanhol para as celebrações do próximo dia dos Reis, no domingo (6).
Acompanhe a reportagem completa aqui

sábado, 5 de janeiro de 2008

Você está preparado ou preparando seu filho para conviver com a diferença?

Este ano tive a oportunidade de conhecer o educador que de forma tão sábia profere a fala a seguir abordando a questão da diferença. Na oportunidade, Rubem Alves comenta sobre a carta que escreveu aos pais e que segue na íntegra no link abaixo. Mais do que uma carta, é uma lição de vida para todos nós..."Perca" alguns minutos do seu precioso tempo para lê-la. E talvez você ganhe muitos minutos de reflexão que poderão fazer a diferença na educação de seus filhos.
Clique aqui

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Apertem os cintos, a CPMF sumiu...


Apertem os cintos!!!
Isso não é decolagem não...
No Brasil tem outro nome,
É a tal da recessão.
Nem dois dias se passaram
E já pensam na substituição
Senhor ministro deu a ordem
Apertem os cintos (mas não muito)
Só uma modesta contribuição...
Sai CPMF, entra IOF
Trocaram seis por meia duzia???
E o povo, ó coitado, nem deu tempo de aplaudir
Será mais uma daquelas...conversas pra boi dormir?

Novo conceito de cinto: Adereço muito utilizado pelo povo (governado) e totalmente desconhecido pela cúpula governamental.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Blogs, blogueiros e afins...

Sabe aquela máxima: "Só sei que nada sei". Pois então... frequentemente me pego pronunciando . Agora mesmo, conhecendo alguns blogs me deparei com mais alguns termos comuns entre blogueiros, mas que pra quem não é assim, diga-se de passagem, nenhuma expert nesse meio, só resta correr atrás, "se informa minina"!!! Vivo nessas horas o que Rubem Alves fala a respeito do que nos é desconhecido, duvidoso: "Decifra-me ou eu te devoro" Então antes que me devore tive a idéia de organizar um... chamemos de "blogonarium"- um dicionário com os vocábulos e expressões mais usados na blogosfera. Talvez seja um post útil a quem pretenda começar um blog. Se você acabou de ler alguma coisa que não entendeu, calma...eu começo por elas:

Blog: é a seqüência cronologicamente ditada de posts em uma página de internet. Pode ser complementada por outras seções, categorias, arquivos, blogrolls e outros apêndices. Também conhecido por Web log. Jornal pessoal publicado na Web, normalmente com toque informal, atualizado com freqüência e direcionado ao público em geral. Blogs geralmente trazem a personalidade do autor, seus interesses e um relato de suas atividades.

Post: Unidade básica de um Blog. É uma unidade textual, visual, audiovisual ou sonora com data de publicação específica que, quando posta em seqüência cronológica constitue o que costumamos chamar de Blog ou weblog.

Blogosfera : O conjunto de blogs existentes ou a comunidade de blogueiros.

Blogroll: Uma lista de links de outros blogs ou sites com os quais o autor do blog tem afinidade.

Meme: Quando utilizado num contexto coloquial e menos especializado o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra (google) Num contexto mais específico, seria "qualquer assunto que se espalhe "espontaneamente" na blogosfera" ( definição do meu amigo Sérgio - Opa!!!!).

Problogger: Pessoa que vive dos rendimentos obtidos com seus textos em blogs. É considerado problogger todo aquele que trata o blog como um negócio e/ou dele se sustenta.

Banner: Anúncio colocado em páginas da Web.

Blogagem Coletiva: Vários blogs se juntam para falar do mesmo tema no mesmo dia.

Kibar: ( tem até gíria) plagiar, copiar conteúdo de alguém, sem citar as devidas fontes. O nome foi originado por causa do blog kibeloco, que geralmente copia coisas dos outros blogs sem o merecido crédito. O "verbo" pegou e quem plageia na internet é kibador e quem é plagiado, é o kibado.

Feed: contem uma sinopse ou conteúdo completo de um post em um blog.

Feedburner: Popular e eficiente gerenciador de feeds.

Agregador de Feed: Programas ou sites responsáveis por receber e apresentar de forma organizada os feeds dos blogs assinados pelo usuário.

Leitor de Feed: O mesmo que Agregador de Feed.

HTML: Linguagem de programação, adotada no mundo inteiro, para criar documentos, hypertextos e construir páginas na internet. Hoje, vários software permitem criar páginas HTML sem conhecer uma palavra desta linguagem.

Ping : Ação de enviar um sinal para outros sites ou blogs desde que prubliquem um novo bilhete. Vários sites atualizam em permanência e em tempo real a lista dos blogs que os "pingam". Estes sites federadores permetem à qualquer momento de seguir os blogs mais recentemente atualizado.

Trackbacks : É um protocolo estabelecido que permete a intercomunicação automática entre websites. Ele permite um blog "A", por exemplo, notificar um blog "B" de que houve um novo post em "A", e que este novo post pode interessá-lo. Isso se dá através de Ping (mensagens curtas) enviadas de "A" para "B", desde que o post é feito. Desta maneira sempre vai existir um vestígio das reações que aquele primeiro post provocou, sobretudo se estas reações foram publicadas em outros locais da web. Se "A" edita uma reação à um post de "B", "B" será notificado. "B" poderá assim ver todas as reações provenientes de outros blogs. O interesse é que isso se faça de modo automático, possibilitando ter uma memória das trocas realizadas, e é claro sem sair do seu próprio blog ("A" não precisa ir no blog de "B" para postar uma reação ao blog de "B", nem para informá-lo de que isso foi feito).

Plugins: São “ferramentas” desenvolvidas por programadores ou curiosos para adicionar funcionalidades aos blogs. Existem uma infinidade de plugins, desde aqueles que inserem uma enquete, como plugins para adicionar publicidade online.

Tags : São palavras que ajudam a indexar os blogs. São como índices na hora de fazer uma procura. Se seu livro não tem um índice, fica muito mais difícil achar o que você quer! Essas palavras-chaves classificam o seu texto e relacionam as informações.

Blogblogs: O maior site de indexação, ranking e busca de blogs do Brasil.

Blogger: É o serviço de blog mais usado no mundo, tem uma interface simples e fácil de usar.

LiveJournal: Além de blog, também funciona como uma comunidade on-line, com interação entre os usuários.

Terapad: Possui uma versão gratuita para criar e manter um blog no ar. Tem também recursos de fórum de discussão e shopping para venda de produtos.

WordPress: O WordPress é um dos sistemas mais usados por quem tem blog com dominio pago, porém você pode usá-lo gratuitamente através do portal do WordPress.

Widgets: São componentes de interface gráfica com o usuário (GUI). Qualquer item de uma interface gráfica é chamada de widget, como: janelas, botões, menus e itens de menus, ícones, barras de rolagem, etc. Além disso, o widget pode representar textos ou imagens que podem ser capturados e publicados automaticamente em qualquer tipo de website, incluindo blogs. Os widgets podem representar também pequenas janelas que ficam no desktop. Essas Janelas têm como objetivo principal entreter, ajudar ou informar o Usuário.


Quem quiser dar mais alguma sugestão poderá colocar nos comentários. Quem sabe eu aprenda mais alguma coisa...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

THE END



Entre mortos e feridos salvaram-se (quase) todos...


CPMF...


E que venha 2008...

Elis versão simpsonizada

Vi essa brincadeira no blog do colega Daniel e resolvi fazer a minha versão. Olha no que deu. Se quiser simpsonizar-se também acessa: http://carbonocatorze.blogspot.com/ tem um post lá indicando como faz, aí você já aproveita para conhecer um pouquinho do trabalho dele.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Inclusão Digital X Processos de In/exclusão

Em recente noticiário O MEC divulgou a implantação, no início do próximo ano, de laboratórios de informática, em 9 mil escolas públicas urbanas que ainda não estão equipadas. De acordo com o órgão, cada laboratório será composto por dez microcomputadores, com estabilizador de tensão, uma impressora a laser e um roteador (equipamento que compartilha uma conexão entre os computadores, possibilitando comunicação via intranet e internet).
Dados mostram que, desde o início de 2007, o ProInfo expandiu o atendimento de 1,8 mil para 5,3 mil municípios, ampliando de cerca de 6,5 mil para 13 mil escolas equipadas com laboratórios de informática.
Estima-se que até 2010, cerca de 80 mil escolas da quinta à oitava séries que ainda não dispõem de laboratórios de informática devem estar equipadas. A programação prevê a inclusão no ProInfo de 20 mil escolas apenas em 2008. Estas iniciativas têm como objetivo promover a inclusão digital, principalmente à pessoas de baixa renda.

Problematizando a questão:
Me utilizo desta reportagem para levantar duas questões, através de uma análise pessoal embasada nas pesquisas de Maura Corcine Lopes em seu livro In/ Exclusão, nas tramas da escola.
  • Como compreendemos os termos inclusão e cidadania?
  • Inclusão digital promove inclusão social?
Inclusão Digital e Cidadania. A inclusão digital está lançada. Acesso à informação promove inclusão digital. Um excluído digital é e será ao mesmo tempo um excluído social.
Sobre inclusão, de modo geral, entendemos que basta estar dentro para deixar de ser um excluído. No entanto,  embora a inclusão seja lida como o oposto da exclusão, ela só existe se existir a exclusão, por isso da utilização do termo in/exclusão como sendo conceitos tão imbrincados que um é socialmente dependente do outro. De fato, só existe inclusão porque existe a exclusão, embora os limites que demarquem quem está dentro e quem está fora sejam muito sutis, mas quem está dentro só sabe que está porque existem os que estão do lado de fora, os excluídos e quem está do lado de dentro, com frequência luta para manter-se nessa posição, desconsiderando os que estão na posição inversa, formando-se aí um conceito de cidadania muito individualizada e egocêntrica, tendo em vista que não existe uma preocupação com a causa comum ou social.

De acordo com Bauman " o cidadão é uma pessoa que tende a buscar o próprio bem estar através do bem estar da cidade, ao contrário do indivíduo que tende a ser morno, cético ou prudente com relação à causa comum, ao bem comum, à boa sociedade ou à sociedade justa"

Nesse sentido, questiona-se as narrativas sobre inclusão digital que reduzem sua compreensão de modo que é entendida como sendo simplesmente uma forma de dar acesso ou disponibilizar aos sujeitos as tecnologias digitais. São iniciativas importantes, mas que por si só, não garantem inclusão digital. Parece que o que há aí é a invenção de um novo significado ligado à inclusão e à cidadania. Constrói-se uma nova configuração onde estes conceitos estão intimamente ligados à capacidade de envolver estes sujeitos numa aldeia global, articulando-se à discursos vinculados ao processo de globalização, redes de conhecimento e aprendizagem e rompimento de barreiras reais ou imaginárias que nos separam geograficamente.

Com frequência, quando ouvimos esses discursos sobre inclusão e cidadania, ouvimos também à expressão "para todos", até porque se assim não fosse julgaríamos tais propostas como seletivas ou injustas. Claudia Werneck, em seu livro Quem Cabe no seu TODOS, questiona quem seriam esses todos, da inclusão. Quem caberia nesse TODOS? Sem dupla interpretação, TODOS é TODOS e sabemos que ainda são tímidas as iniciativas governamentais com relação à essa proposta.

Feitas estas considerações questiona-se: A que cidadania se vincula o direito às tecnologias digitais? De que forma as iniciativas em favor da inclusão digital expressam interesses comuns ou a favor da coletividade?

A TV do Futuro é quase Presente

TV digital, a onda do momento...Depois do computador, do celular popular, e de tantas outras tecnologias chegou a vez da televisão se modernizar. Uma versão que mais se parece com a televisão dos Jetsons, aquele desenho animado que conta histórias de uma família do futuro. Ela é uma mistura da televisão como conhecemos, com uma pitada de computador, mais uma dose de telefone... Consegue imaginar? Pode acreditar, essa televisão do futuro está bem próxima da nossa casa.
Mas, culturalmente falando, o que muda com esta nova tecnologia?

Especialista em TV e educação comenta como a televisão digital pode mudar a formação cultural

Começaram no dia 2 deste mês as primeiras transmissões da televisão digital gratuita no Brasil. Inicialmente, somente a Região Metropolitana de São Paulo irá receber o sinal da novidade, mas ao longo de 2008, o governo federal prevê que todas as capitais brasileiras já sejam receptoras da tecnologia. Especialista no assunto, a diretora do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e autora do livro “Televisão Educativa: a Responsabilidade Pública e as Preferências do Espectador”, Mônica Fort, comenta como os novos recursos oferecidos pela televisão digital podem mudar a formação cultural brasileira.
Para Mônica, as principais mudanças não serão percebidas tão cedo. “Em 2003, o Brasil tinha cerca de 57 milhões de aparelhos de televisão. De lá para cá tivemos uma Copa do Mundo e os jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro, fatores que aumentam a compra de aparelhos. Trocar todos esses aparelhos, ou mesmo adaptá-los à nova tecnologia irá levar muito tempo. Além disso, ensinar as pessoas, acostumadas com os televisores antigos, a mexer com os novos aparelhos, também não será fácil”, explica.
Para ela, a principal mudança será na qualidade da medição dos índices de audiência. “Atualmente, as emissoras produzem em maior quantidade os programas que dão mais audiência. A partir do momento que a interação com a televisão e os programas for maior, o espectador deixará de ficar preso aos horários. Poderá gravar o programa que preferir independente do horário, e assistir nos momentos que puder. Infelizmente, a chamada ‘alfabetização televisiva’ nos ensinou a gostar dos programas que assistimos atualmente”, comenta.
A professora diz que se a população pretende mudar a programação da televisão, precisa se conscientizar do poder que tem, mesmo antes da chegada da televisão digital. “O simples gesto de desligar a televisão quando algum programa que lhe desagrade estiver sendo exibido, pode influenciar o processo de comunicação. Se a pessoa não gosta de novela, mas mesmo assim assiste, por falta de opção, garante que esse programa continue no ar”, afirma.
Entre as principais diferenças que o telespectador da televisão digital irá perceber, estão a melhora significativa na qualidade da imagem, a sensação de profundidade muito maior às cenas e mobilidade permitida. Segundo especialistas, será possível assistir aos programas em aparelhos de mão e até mesmo telefones celulares. Para receber o sinal da televisão digital, qualquer aparelho pode ser utilizado, desde que acoplado a um receptor digital.
(Fonte: Nota 10- Notícias de Educação)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Reflexões sobre a Escola

A escola dos bichos

Era uma vez um grupo de animais que quis fazer alguma coisa para resolver os problemas do mundo.
Para isto, eles organizaram uma escola.
A escola dos bichos estabeleceu um currículo de matérias que incluía correr, subir em árvores, em montanhas, nadar e voar.
Para facilitar as coisas, ficou decidido que todos os animais fariam todas as matérias.O pato se deu muito bem em natação; até melhor que o professor !
Mas quase não passou de ano na aula de vôo, e estava indo muito mal na corrida.Por causa de suas deficiências, ele precisou deixar um pouco de lado a natação e ter aulas extras de corrida.
Isto fez com que seus pés de pato ficassem muito doloridos, e o pato já não era mais tão bom nadador como antes.
Mas estava passando de ano, e este aspecto de sua formação não estava preocupando a ninguém - exceto, claro, ao pato.
O coelho era de longe o melhor corredor, no princípio, mas começou a ter tremores nas pernas de tanto tentar aprender natação.
O esquilo era excelente em subida de árvore, mas enfrentava problemas constantes na aula de vôo, porque o professor insistia que ele precisava decolar do solo, e não de cima de um galho alto.
Com tanto esforço, ele tinha câimbras constantes, e foi apenas "regular" em alpinismo, e fraco em corrida.
A águia insistia em causar problemas, por mais que a punissem por desrespeito à autoridade.
Nas provas de subida de árvore era invencível, mas insistia sempre em chegar lá da sua maneira...
Na natação deixou muito a desejar...Cada criatura tem capacidades e habilidades próprias, coisas que faz naturalmente bem.
Mas quando alguém o força a ocupar uma posição que não lhe serve, o sentimento de frustração e até culpa, provoca mediocridade e derrota total.
Um esquilo é um esquilo; nada mais do que um esquilo.
Se insistirmos em afastá-lo daquilo que ele faz bem, ou seja, subir em árvores, para que ele seja um bom nadador ou um bom corredor, o esquilo vai se sentir um incapaz.
A águia faz uma bela figura no céu, mas é ridícula numa corrida a pé.
No chão, o coelho ganha sempre. A não ser, é claro, que a águia esteja com fome !
O que dizemos das criaturas da floresta vale para qualquer pessoa.
Deus não nos fez iguais. Ele nunca quis que fôssemos iguais.
Foi Ele quem planejou e projetou as nossas diferenças, nossas capacidades especiais.

Rubem Alves já dizia: "As inteligências dormem, inúteis são todas as tentativas de acordá-las por meio da força e das ameaças. As inteligências só entendem os argumentos do desejo. Elas são ferramentas e brinquedos do desejo..."
Acho que a história acima descrita, ainda que com suas peculiaridades, é a versão literária da teoria das Inteligências Múltiplas estudada por Gardner. Sem pretensão de fazer aqui um estudo desta teoria o que estamos nos propondo é fazer uma reflexão sobre a função da escola como instituição privilegiada de construção de conheciementos e saberes.

A escola ideal de Gardner baseia-se em algumas suposições:

  • Nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e habilidades, nem aprendem da mesma maneira.
  • Ninguém pode aprender tudo o que há para ser aprendido.
  • A tarefa dos especialistas em avaliação seria a de tentar compreender as capacidades e interesses dos alunos de uma escola.
  • A tarefa do agente de currículo para o aluno seria a de ajudar a combinar os perfis, objetivos e interesses dos alunos a determinados currículos e determinados estilos de aprendizagem.
  • A tarefa do agente da escola-comunidade seria a de encontrar situações na comunidadedeterminadas pelas opções não disponíveis na escola, para as crianças que apresentam perfis cognitivos incomuns.

Um novo conjunto de papéis para os educadores deveria ser construído para transformar essas visões em realidade.

Todos os seres humanos normais possuem vários potenciais, mas por razões genéticas e ambientais, os indivíduos diferem notavelmente nos perfis particulares de inteligência que apresentam em qualquer momento dado de sua vida.

Conseguimos "preencher" nossos numerosos papéis e posições mais efetivamente porque as pessoas apresentam perfis de inteligências diferentes. Já está estabelecido que os indivíduos possuem mentes muito diferentes umas das outras. A educação deveria ser modelada de forma a responder a essas diferenças, deveria se tentar garantir que cada pessoa recebesse uma educação que maximizasse seu potencial intelectual, pois nenhum indivíduo pode dominar completamente nem mesmo um único corpo de conhecimentos, quanto mais toda a série de disciplinas e competências.

E novamente me aproprio das sábias palavras do educador Rubem Alves: "A tarefa do professor: mostrar a frutinha. Comê-la diante dos olhos dos alunos. Provocar a fome. Erotizar os olhos, fazê-los babar de desejo. Acordar a inteligência adormecida. Aí a cabeça fica grávida: prenhe de idéias. E quando a cabeça engravida não há nada que segure o corpo".

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Tchau escola!!!!!

Francesco Tonucci: Com Olhos de Criança

sábado, 22 de dezembro de 2007

Para pensar....

Precisamos ser lembrados a todo momento que somos mais felizes do que muitos, que temos mais do que muitos, que somos mais abençoados que muitos, que temos comida à mesa todos os dias, que temos um lar, uma família, um trabalho que nos garante dignidade, quando tantos mendigam um pedaço de pão ou apenas um pouco de carinho e atenção, que temos corpo perfeito, saúde, quando tantos adoecem e morrem desassistidos...Precisamos ser lembrados a todo momento que temos mais a agradecer do que pedir... Que não precisamos de tanto, na verdade talvez tenhamos bem mais do que necessitamos...Precisamos de exemplos como esse para percebermos o quanto temos e o quanto podemos ser melhores a cada dia, a cada novo ano, e que possamos transformar dificuldades em oportunidades...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Desejos de Dias Melhores...

Amigos, final de ano chegando e a gente começa a fazer um balanço do ano que está indo embora e a programar metas para o que está chegando. O ano de 2007 foi um ano em que fiz muitos amigos. A blogosfera, mais do que um ambiente virtual de conhecimento é o lugar onde conhecemos pessoas e conquistamos amigos. Quero destacar aqui o trabalho com a Janete, mais do que parceira, uma amiga, que com profissionalismo e amor se dedica à uma causa muito especial, promover a aprendizagem e a inclusão de seus alunos. Com Augusto, um projeto e a participação em um congresso internacional e a certeza de que muito ainda temos por fazer juntos. Virtualmente também conheci Gládis Leal e o "Palavra Aberta", profissional por quem nutro grande admiração e inspiradora do "Blog Especial". Com o paulista Rubéns Leme e seu "Tecnologias Excepcionais para Pessoas Especiais" uma afinidade: dedicação à causa de pessoas com algum tipo de deficiência e ainda com o seu blog "Aprenda e Faça", encontrei apoio nas dificuldades mais técnicas, buscando dicas úteis e importantes sobre tecnologias e as mais diversas necessidades do mundo informatizado. Partilho com João Satucci, a prática da "Sala de Aula", os ideais de educação e o gosto pela crítica e pela reflexão. Tantos outros foram os contatos, tantas palavras carinhosas, tanto incentivo e apoio vindos dos mais diversos e longínquos espaços, certamente tornaram este ano diferente e especial. Queridos amigos, acho que já posso chamá-los assim, essa música traduz um pouco do meu afeto e carinho por todos vocês. E dias melhores pra todos nós.

domingo, 16 de dezembro de 2007

O que é normose?

Não é por acaso, que escolhi esse tema como minha primeira postagem...
Li há poucos dias um artigo intitulado"O que é normose?" E a resposta " É a doença de ser normal" Ué! Alguns podem estar se perguntando: "E ser normal é ruim?" Parece um tanto contraditório isso e é. Não fomos sempre ensinados à não fugir às regras, a nos comportarmos como a maioria, a exibir comportamentos socialmente aceitos? E com certeza não raras foram as vezes que fomos punidos por corromper tais regras.

Percebo de forma ainda mais forte e cruel essa imposição na educação das mulheres. Desde muito cedo, as meninas são ensinadas como devem ou não se comportar, quais atitudes são próprias de meninas e quais não , e aquelas que ousam fugir à regra, por sua natureza ou mesmo por uma recusa dessa imposição arcam com as consequências de um comportamente despradonizado.


Nesse tipo de educação, não há espaço para a manifestação do eu interior, para os desejos da alma, para a espontaneidade, para o imprevisto, para o original, para o natural. Todas as ações necessitam passar antes pelo crivo social que determina o que é ou não aceito por uma maioria.

É a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo à uma vida sem metas, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade. Um normótico é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por "normal" na sociedade em que vivemos. Normótico é o mesmificado, que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade, e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem.

Segue abaixo um trecho do artigo da jornalista Martha Medeiros do Jornal Zero Hora- Porto Alegre sobre o tema:

O sujeito "normal" é sempre magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não-enquadramento.A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" por intermédio de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, sejam lá quem forem todos.Melhor se preocupar em ser você mesmo. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer a quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam se quisessem ser bem mais autênticos e felizes.

Iniciei esse texto falando da intencionalidade da escolha deste tem
a. A convivência diária com pessoas diferentes (chamem-os deficientes, excepcionais ou sujeitos com necessidades educativas especiais- prefiro me referir à eles apenas como diferentes) nos faz reconhecer, por uma lado, o alto preço que pagam por não se encaixarem em um padrão, numa cultura altamente homogeinizadora e preconceituosa; por outro, alegra-nos perceber o quanto são mais autênticos, mais livres e felizes. São o que são, sem máscaras, sem disfarces, sem ilusões. Vivem seus dias num eterno processo de desnormalização. Sem querer encontraram a fórmula para uma vida saudável e feliz.

Talvez tenhamos muito ainda a aprender com estes tantos diferentes que cruzam nossos caminhos, um bom começo talvez fosse aprendermos a olhá-los numa ótica que vê a diferença não como algo que inferioriza, mas apenas e tão somente como identificações subjetivas que fazem de cada ser humano pessoas únicas e especiais.

E talvez daqui pra frente (se é que você já não foi chamado um dia e talvez não tenha apreciado o adjetivo), você passe a não dar tanta importância se alguém, por acaso lhe chamar de esquisito... Você provavelmente esteja dizendo não à normose.
E viva a diferença!!!