segunda-feira, 31 de março de 2008

Inspiration

Já comentei sobre o FreeMind há alguns posts atrás, mas para quem gosta de trabalhar com mapas mentais esse sai na frente por vários motivos, para quem é da área da educação especial ou adepto dos recursos visuais, principalmente por ter um banco de imagens variado que imprime maior dinamicidade ao trabalho e facilidade de se estabelecer relações, permitindo desenvolver a técnica mesmo entre alunos não alfabetizados. Destaco aqui duas versões: O Inspiration e o Kidspiration, este mais voltado ao público infantil.
Os mapas mentais são conhecidos como ferramentas da inteligência. Comecei a utilizar a técnica como forma de estudar os textos de um curso que fiz no ano de 2007, comprovei na prática o que já sabia na teoria. A facilidade de compreensão quando selecionamos expressões ou palavras chaves e a partir destas estabelecemos outras tantas relações hierarquicamente, é sem dúvida muito maior do que quando utilizamos um texto discursivo. Parece que as coisas, antes complicadas vão durante o processo, estruturando-se e tornando-se mais claras. Outra vantagem é na exposição de trabalhos onde dispomos de um recurso cognitivo importante não só para quem expõe mas também para o ouvinte, que consegue acompanhar melhor o seu raciocínio.

O trabalho com alunos com deficiência intelectual vem caminhando no sentido de entender como estes aprendem, ou seja que processos de elaboração conceitual desenvolvem para se chegar ao conhecimento, aos conceitos.

Vejo no trabalho com mapas mentais um recurso excelente para a finalidades acima descrita, onde o professor pode acompanhar o processo e a reflexão que o aluno faz num determinado trabalho.

Usando recursos como balões, setas, imagens, cores há uma maior facilidade de compreensão e de memorização, e o mais importante, as relações que se estabelecem são um exercício da metacognição, onde refletimos sobre a forma como pensamos.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Lógica de Criança

Mãe... hamster é rato?
Ah filho, ele é um roedor, deve ser da família dos ratos.
Humm...então devem ser os primos ricos do rato.

Filho...vai guardar os seus brinquedos...
No momento "estarei" ocupado, deixe seu recado que respondo mais tarde.

Filho, vai tomar banho. Tô sentindo um cheirinho!!!
Ah deve ser o meu gambá interior.

Mãe, você já conversou com o coelhinho da páscoa?
Não filho...( já pressentindo a jogada)...
É, acho que vocês nem iriam se entender mesmo, ele deve falar coelhês.

Mãe, sabe qual o vulcão mais animal que existe?
O Dragão.

Do alto dos seus recém completados 7 anos de idade, essas foram as últimas do Gianluca. Minha tecla F12 ultimamente não tem funcionado corretamente, acho que o uso intenso tem deixado ela meio debilitada ( acho que contrariei as pesquisas), mas enfim...acabei esquecendo-me de outras tantas pérolas...porque ele tem vivido sua fase operatório concreta intensamente, todo dia tem uma nova...

Nessa fase, que segundo Piaget dura dos 6/7/8 aos 11/12 anos de vida, (existem variações nos dados o que também se aplica às crianças dependendo dos estímulos...) a criança começa a lidar com conceitos abstratos como os números e relacionamentos. Esse estágio é caracterizado por uma lógica interna consistente e pela habilidade de solucionar problemas concretos.

Contudo, embora a criança consiga raciocinar de forma coerente, tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem, nesta fase, a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Dica legal: Lente de aumento do Windows

Ferramenta auxilia pessoas com visão subnormal:
O sistema operacional Windows, Win 98, Win ME, Win XP, Win 2000, Win 2003, vem com recurso de acessibilidade para deficientes visuais. Um dos recursos é uma lente de aumento, onde metade da tela fica ampliada em até 6x e outra metade permanece na sua configuração de vídeo padrão. Nesse mesmo recurso pode-se fazer uma inversão de cores.

Como usar:

A lente de aumento é um componente do Windows, sendo assim, o seu sistema pode já estar com esse recurso. Caso não esteja, através de um CD de instalação de seu Windows você poderá acrescentar este recurso.

Para acessar a lente de aumento entre no menu iniciar - programas - acessórios - acessibilidade - lente de aumento.

Caso esse componente não tenha sido instalado em seu computador, vá no menu iniciar - configurações - painel de controle - adicionar ou remover programas - vá na opção instalação do Windows (se for win XP ou 2000 a opção é instalar componentes no Windows), entre em acessibilidade e selecione lente de aumento, insira o CD de seu Windows e clique em avançar. Sua lente de aumento já está instalada.

Alterar Ponteiro do Mouse:

Você pode também alterar o ponteiro de seu mouse, trocando a cor, colocando rastro para facilitar a visualização, e ampliando. Para fazer essas alterações vá no menu iniciar - configurações - painel de controle - mouse - selecione ponteiro e configure da melhor maneira para sua acessibilidade.

Outros softwares para ampliar tela, acesse o link e faça o download:

segunda-feira, 24 de março de 2008

Descaminhos...

Separação por Nota
Li essa matéria no blog A metamorfose da Libélula.
Essa leitura me fez recordar uma história que ouvi no início de minha formação... uma pessoa morre e alguns séculos depois é surpreendida com a notícia que voltaria à este mundo para dar continuidade à sua evolução. Chegando aqui percebe aterrorizada que não conseguirá cumprir a sua missão. Estivera por tempo demais afastada, tudo está diferente, sobreviver neste mundo torna-se uma missão impossível. Os avanços tecnológicos... os hospitais, os caixas eletrônicos, as ruas, as sinaleiras que fotografam, o celular, o computador! Não!!! Definitivamente não! Impossível sobreviver por aqui. Já convencida de que não dará conta de tão difícil e inconcebível experiência, se vê de repente diante de uma escola. Sua última tentativa. Preparada para mais surpresas, ela decide entrar, crente que será só mais uma diante das tantas que já tivera.
A surpresa seria ainda maior...
O que encontrou? Uma escola exatamente igual à que frequentara há alguns séculos passados...Impressionante!!!! A sineta, o relógio, os muros altos, as carteiras enfileiradas... tudo exatamente como estava antes da sua partida. Como sentia-se bem, feliz!!!
Ela havia decidido, ficaria por aqui.
Realmente... tem coisas difíceis de se entender em educação. Em tempos em que falar de inclusão não deixa mais ninguém de cabelo em pé e que mesmo longe do que se julga ideal, trilhando por caminhos tortuosos, mas já encarada sob o prisma da possibilidade e da necessidade... em tempos de valorização da diferença, há quem ache que trabalhar com a competição e com a desigualdade é reproduzir exatamente o que acontece lá fora...

sexta-feira, 21 de março de 2008

Terminologia sobre Deficiência na era da Inclusão

Ainda hoje, apesar de muito se discutir e da intensa luta de pais e educadores para diminuir o preconceito, a pessoa com algum tipo de deficiência sofre e é discriminada. A começar pela forma como é identificada: ou com termos pejorativos ou com eufemismos numa tentativa de amenizar a sua condição, como se a palavra indicasse uma desqualificação da pessoa. Como exemplo disso, a palavra "surdo". Surdo é a nomenclatura escolhida pela própria comunidade surda. E por que parece preconceito chamar uma pessoa de surda? Não chamamos um diabético de diabético sem parecer ter essa conotação preconceituosa? Ao que parece, acaba existindo uma preocupação exagerada com isso, em tentar suavisar determinadas condições de sujeitos que acaba por desvelar uma situação de preconceito interiorizada.

Na linguagem, se expressam voluntariamente ou involuntariamente nossas concepções e/ou preconceitos acerca da deficiência.

Imbecis, idiotas, retardadas, débeis, inválidas, incapacitadas, anormais, excepcionais, portadores de deficiência, deficientes mentais... expressões que refletem conceitos e valores de uma determinada sociedade e de uma determinada época, mas que carregam intrinsicamente preconceitos ou desconhecimento do que é de fato a questão da deficiência.

A própria expressão "com necessidades especiais" não abrange em sua totalidade a designação das pessoas com deficiência, tendo em vista que necessidades especiais todos temos ou manifestaremos em algum momento da vida. E estes sujeitos além dessa necessidade possuem outras condições mais específicas.

Uma das mudanças mais significativas com relação as terminologias utilizadas é a que substitui o termo deficiência mental por deficiência intelectual. Uma mudança que traz um novo e importante entendimento a respeito da condição desses sujeitos. Em primeiro lugar porque o termo intelectual refere-se ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento da mente como um todo. A segunda razão consiste em podermos melhor distinguir entre deficiência mental e doença mental, dois termos que têm gerado confusão há vários séculos. A propósito o termo doença mental também está sendo substituido por transtorno mental.

Apesar de entender que a inclusão e a aceitação do diferente na sociedade depende de múltiplos fatores, entendo também que o conhecimento destas questões terminológicas é de fundamental importância...e um bom começo.

Segue abaixo um artigo do consultor de reabilitação e inclusão social Romeu Sassaki com as principais terminologias (equivocadas) utilizadas para designar a deficiência.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Softwares Especiais na Educação Especial.

(Clique no nome do programa, acesse o site e faça o download)

Tux Paint: É um software free de desenho, ganhador de prêmios, para crianças com idades entre 3 e 12 anos. Ele combina com uma interface bastante fácil e intuitiva, efeitos de som divertidos, e através de um mascote, encoraja as crianças a utilizarem o programa. Possui uma enorme variedade de ferramentas de desenho e pintura, visando despertar a criatividade dos usuários.
Ele executa sobre uma grande variedade de plataformas, incluindo todas as versões do Windows.

Download: Tux Paint & Tux Paint Config.Tux Paint 0.9.16tuxpaint-0.9.16-win32-installer.exe
Version: 0.9.16 (2006.10.21)
Size: 6.5MB
From: John Popplewell.

Você também pode baixar uma versão completa de carimbos para aguçar ainda mais a criatividade das crianças.

Version: 2006-10-21
Size: 13.5MB
From: John Popplewell

CobPaint - Programa de desenho, muito simples, para ser utilizado na Educação Especial com crianças que não conseguem utilizar o Paint ou outros softwares de desenho. Possui um interface amigável, botões grandes e um estojo de ferramentas básicas: três lápis, dois baldes de cores, uma borracha e cinco opções de cores. O programa guarda as imagens automaticamente na pasta do programa (colbpaint), sem necessitar que o utilizador lhe dê um nome.
Imagens:

Hagáquê - software educativo de apoio à alfabetização e ao domínio da linguagem escrita. Trata-se de um editor de histórias em banda desenhada (BD) com um banco de imagens com os diversos componentes para a construção de uma BD (cenário, personagens, etc) e vários recursos de edição destas imagens. O som é um recurso extra oferecido para enriquecer a BD criada no computador.

Qtmdemo - Software de criação de histórias em quadrinho da Turma da Mônica - versão de demonstração, mas com vários recursos e possibilidades.

Globus - Programa que faz uma representação gráfica no ecrã da voz emitida num microfone. Útil para estimular a fala.

Text Aloud - O Text Aloud MP3 é um programa que permite sintetizar e gravar fala a partir de texto. Pode ser utilizado como auxiliar de leitura de textos, correio electrónico, páginas web, livros em formato digitais, etc., por pessoas com deficiência visual, mental ou dislexia ou como ferramenta de comunicação aumentativa, por parte de pessoas com dificuldades de comunicação verbal .
Os textos podem ser ouvidos em tempo real ou gravados para ficheiros WAV ou MP3.

Imagina - É uma nova geração da linguagem Logo. O Imagina possui uma hierarquia de objectos e comportamentos, processos independentes e paralelos, ferramentas de desenho e animação e um interface de manipulação directa e alargada.
Foi desenvolvido para estudantes, professores, programadores e investigadores, permitindo:- elaborar desenhos e animações;- desenvolver aplicações para a Internet;- compor e explorar peças musicais;- utilizar sintetizador de voz;- construir ambientes de aprendizagem;- comunicar ideias e construir apresentações;- criar aplicações multimédia em formato EXE.

Braille Fácil - O programa Braille Fácil faz com que a criação de uma impressão Braille seja uma tarefa muito rápida e fácil, a tal ponto que esta seja realizada com um mínimo de conhecimento do sistema braille. Através do Braille Fácil a impressão de textos corridos são absolutamente triviais. O texto pode ser digitado diretamente no Braille Fácil ou importado a partir de um editor de textos convencional. O editor de textos utiliza os mesmos comandos do Bloco de Notas do Windows, com algumas facilidades adicionais. Uma vez digitado, o texto pode ser visualizado em braille e impresso em braille ou em tinta (inclusive a transcrição braille para tinta).Grande parte da operação do programa é controlada pelo menu principal, através do qual todas as funções são ativadas, incluindo os controlos de edição do texto.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Desabafo de Mãe

É o filho que faz birra em locais públicos...
Chora sem parar quando é contrariado...
A criança que mente...
Você chama a atenção e um parente recrimina seu ato...
A professora que não sabe lidar com o seu filho...
A criança que é dependente demais dos pais...
Ah! A educação dos filhos...
A família inteira dá palpite. Todo mundo sabe como fazer, você também pensava que sabia.
Endeusadas pelos poetas, criticadas pelas sogras, questionadas pelos maridos, adoradas ou recriminadas pelos filhos... As mães.
O trabalho fora de casa, a empregada que faltou, a casa pra organizar, os deveres do filho, o jantar... a televisão no último volume, a guerra de travesseiros, o feijão que queima, o leite que derrama...
Ah se elas não fossem mulheres!
Mães são seres humanos...
nós vivemos o melhor e o pior,
o certo e o duvidoso,
o fácil e o difícil,
as alegrias e as tristezas,
o sorriso e as lágrimas,
as vitórias e as derrotas.
Amamos, sofremos ...enfim, somos apenas mães.
Isso não é um desabafo pessoal, são apenas algumas divagações de uma mãe que depois de um dia inteiro de trabalho, já levou o filho ao dentista, foi ao supermercado, preparou e lavou a louça do jantar, ajudou o filho nas lições, colocou-o para dormir e agora (exatamente 00:11) senta-se para escrever e indicar à todas às mães um espaço para que compartilhem todas as suas dúvidas, frustrações, dificuldades... desabafe no Desabafo de Mãe, um portal colaborativo feito por mães para mães. A gente se encontra por lá.

sábado, 8 de março de 2008

Dia da Mulher!?!? Pra quê, por quê?

Não ia postar nada sobre isso, porque de certa forma, sempre desconfio destas datas.
Cultural ou mercadológica, o fato é que essa e muitas outras existem e vão sendo repassadas e "comemoradas" sem uma razão lógica que as justifique.
Dia da mulher....humm...
E por acaso existe dia do homem?
Assim como não existe dia do branco, mas existe dia da consciência negra, do índio...
Pra quê ? Por quê?
Pra nos lembrar que somos ou fomos minorias?
Se for isto não vejo razão pra nenhuma comemoração.
Ou seria pra mostrar a luta das mulheres e o quanto elas já conquistaram?
Estão até dizendo por aí que o sexo frágil agora é o homem!
Ta aí então mais um motivo pra tirarem definitivamente essa data do calendário...
Poderiam substituí-la pelo "Dia do Homem"...
Uma boa oportunidade para eles reivindicarem os direitos perdidos.
Daqui há pouco estarão eles queimando cuecas em praça pública...
Isso não é apologia ao feminismo, até porque eu não faço questão nenhuma de trocar o pneu furado do meu carro e as vezes sinto um pouco de inveja da minha mãe..
As vezes eu queria ser um pouco mais Amélia.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vídeos que envolvem a interação de PNEEs com ambientes digitais de aprendizagem

  • TEMA: Mediação tecnológica e autismo em 56 kbps ou 256 kbps
  • TEMA: Simulador de Teclado para pessoas com Paralisia Cerebral - NIEE-UFRGS em 56 kbps ou 256 kbps
  • TEMA: Tecnologias Assistivas para usuários cegos e com visão subnormal em 56 kbps ou 256 kbps
  • TEMA: Estudos desenvolvidos no NIEE, com PNNEs, utilizando a Filosofia e linguagem LOGO em 56 kbps ou 256 kbps
  • TEMA: Atividades do Núcleo de Informática na Educação Especial (NIEE) da UFRGS em 56 kbps ou 256 kbps
  • TEMA: Experiências com Surdos e PCs na Internet em 56 kbps ou 256 kbps

(Núcleo de Informática na Educação Especial)

terça-feira, 4 de março de 2008

Normal é ser Diferente

Recebi da Fátima Franco via lista Blogs Educativos um videozinho muito bacana: Il Bello Della Differenza.

Na música "Vaca Profana" composta por Caetano Veloso tem um trecho que diz que de perto ninguém é normal. Mas que tem muita gente fazendo um esforço enorme pra parecer... isso tem, e o pior... escondidos por detrás de seu verdadeiro eu, vivem infelizes, pobres normóticos! Sem delongas, até porque já falei disso por aqui, assistam a animação e deixem suas impressões registradas.
A diferença é que faz a diferença... Pense nisso.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mapas Mentais como Estratégia de Aprendizagem

Tentando entender melhor como alunos com deficiências aprendem ou por que não aprendem me deparei com o livro Aprender com Mapas Mentais - Uma estratégia para pensar e estudar.

“Na escola, passei milhares de horas aprendendo matemática. Milhares de horas aprendendo linguagem e literatura. Milhares de horas em ciências, geografia e história. Então me perguntei: quantas horas passei aprendendo como minha memória funciona? Quantas horas passei aprendendo como meus olhos funcionam? Quantas horas aprendendo como aprender? Quantas horas aprendendo como meu cérebro funciona? Quantas horas aprendendo sobre a natureza do meu pensamento e como ele afeta o meu corpo? E a reposta foi: nenhuma, nenhuma, nenhuma...” (Tony Buzan)

Foram esses questionamentos que levaram o referido autor, psicólogo inglês a criar em meados de 1970 os Mapas Mentais (Mind Maps) para facilitar a aprendizagem e memorização por meio do encadeamento não-linear de informações.

A técnica é simples e mesmo alunos com deficiências podem desenvolver esse tipo de trabalho e principalmente, tirar proveito dele.
Os estudos acerca de como alunos com deficiência mental aprendem são bastantes recentes e uma pesquisa pioneira nessa área foi realizada pela Fundação Catarinense deEducação Especial do estado de Santa Catarina na qual estabelece o trabalho a partir da elaboração de conceitos. A pesquisa em questão busca anunciar novas possibilidades para o processo de ensino-aprendizagem de pessoas com tais características, a partir da seleção e organização do conhecimento, visando incluí-los no processo educacional a partir da promoção de habilidades e da qualificação das funções psicológicas superiores.

O trabalho com mapas mentais potencializa essas funções por serem modelos que permitem a diagramação do pensamento, no formato não linear, assumindo o tipo de estrutura que a memória tem. De fato, o aprendizado humano obedece a essa sistemática. Aprendemos e memorizamos fazendo relações entre aprendizados anteriores, em uma complexa rede neural. Os mapas, portanto, são instrumentos que permitem simular, de certa forma, o que o nosso cérebro faz ao aprender e guardar informações, permitindo sistematizar o pensamento, auxiliar o aprendizado e a assimilação de novos conceitos.

Um programa interessante para criação de mapas mentais é o FreeMind, disponível para download.

Links relacionados:

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quando o diferente é o deficiente...

O professor Daniel do Carbono 14, escreveu um post que me sugeriu este que ora escrevo. Lá ele falava sobre carros, aquecimento global, sustentabilidade...
Mas essa minha análise nada tem a ver com isso.
A frase inspiradora desse texto dizia: O que importa são os negócios! O que importa é o capital! O capital que tudo domina e que tudo danifica.
E mesmo que os defensores mais ferrenhos do capitalismo transfiram aos (des) governos a responsabilidade ou a culpa pelos mais graves problemas sociais brasileiros reforço a constatação do professor.

Mas a minha fala não é sobre coisas, é sobre gente...gente deficiente.
"Coitadinhos"...
"Sinto muito pena deles"
"De que doença mesmo ele sofre?"
"O mundo é injusto"...
Expressões comuns, corriqueiras de quem se vê diante de um deficiente ou falando sobre.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) aproximadamente 80% das pessoas que não enxergam, não escutam, não andam, têm seu intelectual ou desenvolvimento motor comprometido vivem em países em desenvolvimento. Provavelmente 98% delas estão totalmente negligenciadas, conclui a OMS. Um terço é de crianças.

Surpresa? Emoção? Pena ? Revolta?
Sensações bastante comuns, mas sem nenhum efeito transformador.
Mas afinal, quem de nós ousaria não se comover diante da cena de um deficiente?
Deficiência inspira comoção, principalmente quando o deficiente é uma criança. Pena não inspirar ações, investimentos.

Por quê?
Porque o deficiente não é considerado produtivo.
Em uma sociedade guiada pelo capital, investimento e lucro são conceitos que não se separam. Investe-se onde se tem retorno. É uma lógica bastante razoável e necessária. Quem não se submete à ela não sobrevive. Mas uma lógica que acaba por excluir boa parte da população entre eles um número significativo de pessoas com deficiência.

Falta de qualificação? De acesso ao conhecimento? Limitações?
Sim. Constatações reais.
Mas incluir não significa excluir a singularidade. É antes a crença nas possibilidades, respeito à diferença.

Não por força da lei nem com o intuito de ganhar o céu. Incluir não é favor favor, nem caridade.
É antes, dar oportunidade. Muitos deficientes têm potencial a ser explorado, são capazes de produzir, de contribuir, de gerar renda, capital social.

O saldo de tudo isso?
Uma sociedade mais justa e igualitária.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O Cérebro em Números

Que a capacidade do cérebro humano é infinitamente superior à melhor tecnologia já inventada, todos já sabemos, mas os números que demonstram a sua capacidade são impressionantes:
  • Peso do cérebro: 1,5 quilo e tamanho de uma toranja ( é toranja mesmo: fruta originária da Ásia, um cítrico híbrido da família da laranja, chega a medir 20 centímetros.)
  • Número de neurônios: 30 ou 100 bilhões, maior que o número de estrelas da Via Láctea.
  • Conexões neuronais: cada célula nervosa possui entre 1000 e 500.000 conexões. Isso significa um número de conexões astronômico: 25x10 (elevado a 30)
  • Anokhin, um cientista protegido de Pavlov, calculou o número de conexões e rotas do cérebro: 1 seguido de 10 milhões de quilômetros de zeros digitados. (???)
  • A National Academy of Sciences estima que um só cérebro humano tem um número maior de conexões possíveis entre suas células nervosas que o número total de partículas atômicas existentes no universo.
  • O cérebro seria equivalente a um computador com 20 milhões de livros de 500 páginas cada um.
  • Comparando o cérebro ao computador Cray ( um dos mais possantes do mundo), observa-se que mesmo com 400 milhões de cálculos por segundo, levará cem anos para se conseguir o que o cérebro é capaz de realizar em um minuto.
  • Se recebêssemos 10 unidades (palavra/imagem) por segundo, durante 10 anos, não teríamos utilizado nem 1/10 da capacidade de armazenamento do cérebro.
  • O organismo repõe diariamente entre 25 e 750 bilhões de células que morrem em nosso corpo.
  • O corpo caloso cerebral tem 200 milhões de fibras nervosas.

Qui loucura!!!! Além de ser infinitamente superior em complexidade ao melhor computador já inventado... (uma frase simplesmente espetacular conclui esse texto) :

"...dispomos ainda do melhor software possível: a nossa consciência. Ele é o único capaz de comandar as ações do cérebro e de exercitar a própria inteligência através da aprendizagem e da auto-aprendizagem. " (Henrique Eisi Toma - Professor do Departamento de Química Fundamental Instituto de Química da Usp).

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Autores ou Espectadores?

Já dizia Manuel Bandeira, em Poética, in Libertinagem.

"Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público
com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis.


(...)

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Presenciei há pouco tempo uma discussão sobre a questão da subjetividade nos textos. Uns contra, outros a favor... O fato é que para mim ( e aí já fica clara minha posição) isto é uma necessidade.

O que parece é que em nome do rigor científico, muitos deixam de escrever sobre o que pensam. Deixa-se de lado o pessoal e opta-se pela escrita em terreno firme, pelos impessoais "constata-se", "observa-se", "conclui-se", pela universalização do pensamento, por aquilo que supostamente ninguém contestará porque nunca saber-se-á ao certo quem foi que disse.

Assim como disse Rubem Alves ( perdoem-me as referências pouco ecléticas) ..."desaparece a pessoa de carne e osso que realmente viu, pensou e escreveu, e no seu lugar entra um espírito universal...E estou propondo que a gente tome consciência dele e o exorcize por meio do riso. E que recuperemos a coragem de falar na primeira pessoa, dizendo com honestidade o que vimos, ouvimos e pensamos. Escrever biograficamente, sem vergonha."

E ainda, nas palavras de Nietzsche (apud Rubem Alves) " De tudo o que está escrito, eu amo somente aquilo que o homem escreveu com o seu próprio sangue. Escreve com sangue e experimentarás que sangue é espírito".

Quando escrevemos algo sobre o que pensamos, acreditamos...enfim, sobre as nossas leituras de mundo, fazemos um exercício que não é puramente de escrita, é de estímulo ao pensamento, de estímulo à novas e constantes reflexões.

Se nesse momento, por exemplo, fosse submetida à um exame de ressonância magnética funcional que fotografasse as sinapses do meu cérebro e o pensamento sendo formado veríamos
que esse simples exercício de escrita, não é assim tão simples, milhões de conexões estariam se formando a partir das relações, das generalizações, da análise, da síntese, das comparações, enfim... das várias outras funções psicológicas que estariam ativas nesse momento.

É necessário correr o risco para se descobrir o prazer da autoria. Sim, da autoria, porque creio que a falta desse exercício gera desmotivação e insatisfação nos seres humanos. Digo risco, porque a escrita de autoria está sujeita à crítica, e aí eu sugiro que se faça a crítica da crítica que agrega valor gerando riqueza de idéias e novas possibilidades de reflexão, já que a autoria é um processo aberto, que nunca chega a um ponto de finalização concreto, pois a cada retomada surgem modificações, na tentativa de sempre melhorar o sentido do que está exposto. Não me refiro aqui à autoria que remete ao nome ou ao poder daquele que escreve, mas de um exercício essencialmente de natureza humana: a capacidade intensional inventiva e criativa.
E a escola, tem educado para a autoria ou tem gerado alunos que se limitam à capacidade de reproduzir?

Vejo que duas fases na trajetória escolar estimulam de forma significativa a autoria: a educação infantil e o doutorado, por razões por todos conhecidas; a educação infantil, por ser a criança desta idade naturalmente curiosa, criativa e espontânea, despreocupada com modelos, estereótipos ou com a rejeição ao seu pensamento, e o doutorado, pela exigência da profundidade do conhecimento.

O papel do professor é também incentivar o aluno exercitar o poder da autoridade. Não prender-se à fórmulas e pré-conceitos estabelecidos. Romper o tradicional, estimular a consciência criadora... “O lirismo dos bêbados”.