segunda-feira, 21 de abril de 2014

Em Busca da Política / Post Scriptum sobre Insignificância


BAUMAN, Zygmunt. Em Busca da Política. Rio de Janeiro: Zahar, 2000


Não iremos muito longe sem trazer de volta do exílio idéias como a de homem público,
da boa sociedade, da igualdade, da justiça e assim por diante - idéias que não fazem sentido senão cuidadas e cultivadas na companhia dos outros.
(Baumann, 2002, 16)

A ideia principal da obra Em Busca da Política é a de que a pós modernidade trouxe profundas mudanças no modo como vivem e se relacionam as pessoas, a individualidade se sobrepôs de ­forma implacável sobre o coletivo disseminando a discórdia e as penúrias e os sofrimentos contemporâneos estão fragmentados, dispersos e espalhados.
Não existe um centro, um núcleo, onde discussões a nível coletivo possam auxiliar na resolução de causas comuns, e o discurso neoliberal se apresenta como aquele quase impossível de combater.
Duas idéias fundamentais se destacam na obra: a de que a liberdade individual só pode ser produto do trabalho coletivo e a de que a identidade não é herdada. É preciso construí-la.
Na introdução, Bauman analisa algumas crenças contraditórias que perpassam boa parte da sociedade ocidental hoje, lembrando que as crenças não precisam ser coerentes para que acreditemos nelas, e destaca duas delas para tentar lançar uma nova luz sobre a perda de legitimidade que atinge crescentemente a ação política.
A primeira, diz respeito a questão da liberdade, a qual entendemos que está concluída, não necessitando, portanto, de irmos para a rua protestarmos por maior liberdade do que a que já temos. A segunda, nos faz pensar que pouco ou nada podemos mudar da realidade que aí está.
Segundo o autor, podemos fazer usos distintos desta realidade posta, que foram  definidos como uso cínico e uso clínico. No primeiro, tende-se a aceitar o mundo tal qual é, visando tirar dele o máximo de vantagem; já, saber utilizado de forma clínica nos ajuda a combater o que vemos de impróprio, perigoso ou ofensivo à moralidade.
O autor destaca ainda na introdução, problemas que dificultam transformações na sociedade e concorrem para a manutenção da ordem que aí está. Dentre estas, cita o conformismo generalizado, a falta de coragem, ações descentralizadas, envolvimento com tarefas que não possibilitam o exercício da reflexão e do questionamento, privatização da utopia e preocupação excessiva e fragmentada com problemas pessoais de modo que se torna difícil agrupá-los e condensá-los numa força política.
No primeiro capítulo, Bauman trata dos problemas que perturbam os instrumentos de ação política. Dentre estes destaca o medo, a frustração, a inconsistência da amizade e da solidariedade, disseminação da discórdia, a desconfiança e a hostilidade mútuas, não sacrifício da liberdade individual, perda da autoconfiança, ansiedade, insegurança, desesperança, apatia, agressividade, desinteresse por tudo que tenha caráter político, gerando deslocamento e exclusão (dada a multiplicidade de papeis que assumimos).
Sobre o liberalismo e a livre concorrência o autor afirma: “Os postulados da transparência e flexibilidade referem-se ao controle exercido pelos poderosos de imperar sobre as condições em que os outros, menos autoconfiantes, são forçados a escolher entre o modesto conjunto de opções que lhes resta ou submeter-se ao destino que lhes toca quando não há mais qualquer opção”. (p. 34)
Neste capítulo, o autor discute também a falta de causas comuns e de relevância entre as pessoas, enfatizando que o individualismo a que são conduzidas, leva cada um a defender seus próprios interesses, o que conduz inevitavelmente a um sentimento de insegurança existencial humana. “Os medos que cada um sente só podem ser contados, mas não compartilhados ou unidos numa causa comum com a qualidade nova da ação conjunta. Não há um caminho óbvio que leve dos terrores privatizados às causas comuns que podem se beneficiar do confronto e enfrentamento conjunto.” (p.54)
Há um esfriamento generalizado das relações humanas, insegurança e medo.         
A diminuição do poder do Estado faz com que as nações não se sintam seguras no abrigo que outrora foi a soberania política. “A soberania anda de muletas – coxa e vacilante. As autoridades do Estado nem mesmo fingem que são capazes ou desejam garantir a segurança dos que estão sob sua responsabilidade” (p. 47)
O sentido da vida, que antes estava vinculado ao ato de servir a nação, agora é transposto para o indivíduo, conduzindo cada um a buscar sua própria segurança e a consumir. Só o ego ficou. “Se não temos o alimento pelo qual ansiamos, o alimento espiritual, então acumularemos os bens deste mundo em vasta escala”. (p.49)
No segundo capítulo Bauman trata dos problemas relativos aos instrumentos existentes de ação política e as razões de sua decrescente eficácia. Para isso, inicia explicitando a relação entre medo e poder, alertando que o medo é utilizado por todos os sistemas religiosos para suprimir a pessoa e sua consciência. Citando Bakhtin, ressalta que segundo ele, esse medo cósmico era o protótipo do poder mundano e terrestre, sendo assim, fabricado, concebido e produzido sob medida.
Para o autor, os medos individuais dificilmente cruzam com outros medos privados e não se reconhecem facilmente quando há esse encontro. Essa dificuldade de se unirem e convergirem é o que Bauman denomina de liberdade individual. Mas questiona até que ponto somos livres, denominando a liberdade presente no nosso tempo de antiliberdade.
Isso porque a liberdade foi tolhida. Os legisladores fazem sua escolhas antes do indivíduo e lhe reduzem o leque de opções. A pós modernidade transformou o indivíduo de cidadão político em consumidor de mercado. A liberdade é ilusória, mas o que a impossibilita, sutil, e surge mais como um código disfarçado sob a forma de uma “oferta que não se pode recusar”, do que uma ordem. Consiste em induzir as pessoas a fazer de boa vontade o que têm de fazer.         
Para mudar isso, Bauman chama atenção para a imprescindibilidade da ágora, espaço público e privado ao mesmo tempo, em que “problemas particulares se encontram de modo significativo – isto é, não apenas para extrair prazeres narcisísticos ou buscar alguma terapia através da exibição pública, mas para procurar coletivamente alavancas controladas e poderosas (…) espaço em que as ideias podem nascer e tomar forma como bem público, sociedade justa ou valores partilhados. (p.11)
Assim, destaca a importância de que os movimentos de sociabilidade estejam de fato comprometidos com a mudança. Reforça que é preciso vencer a condição de conformismo generalizado em que nos encontramos, o que Bauman chama de auto-apologia da rendição do liberalismo (‘Este não é o melhor dos mundos imagináveis, mas o único mundo real’). É preciso retomar/recriar os espaços públicos e construir novos significados à nossa experiência nesse planeta.
            O último capítulo trata das perspectivas possíveis para a crise atual. O autor destaca a democracia liberal como uma das mais poderosas utopias modernas. Seu objetivo é uma sociedade capaz de cuidar para que os assuntos do Estado sejam dirigidos corretamente  e um tipo de Estado  capaz de defender a sociedade contra os excessos que o governo dos interesses dela pode acarretar.
Bauman destaca ainda, a possibilidade de uma segunda reforma a qual daria origem ao “homem modulado”que a exemplo do móvel modulado, não tem formato certo, predeterminado, mas um conjunto infinito de formas e expansões possíveis. Pode ser definido como uma criatura com qualidades móveis, disponíveis e cambiáveis.
            Explica que o homem modulado é capaz de se reunir em associações e instituições efetivas, sem que estas sejam totalizantes, normatizadoras, estabilizadoras ou rígidas e que, com homens modulados, tornam-se redundantes a tirania dos poderes coercitivos e a pressão surda dos rituais.


Castoríadis, Cornélius. Post Scriptum sobre a Insignificância: entrevista a Daniel Mermet. São Paulo: Veras Editora, 2001

Filósofo, economista e psicanalista de origem grega, viveu metade de sua vida na França. É considerado um dos maiores expoentes da filosofia francesa do século XX. Em 1949, com Claude Lefort, fundou o grupo Socialismo ou Barbárie, que deu origem a uma revista que circulou em 1967. A partir de 1980, demarca com mais nitidez os perigos que a fragmentação dos conhecimentos veio produzindo, decompondo as idéias políticas e reduzindo-as a um economicismo vazio. Cornelius Castoriadis é considerado o filósofo da autonomia. Favorável a mudanças radicais repetia: “Não filosofamos para salvar a revolução, mas para salvar nosso pensamento e nossa coerência.”  Entre suas inúmeras obras destacam-se: Instituição Imaginária da Sociedade, Encruzilhadas do Labirinto, Socialismo ou Barbárie.

Em sua fala, Castoríadis reforça o sentido da participação e da liberdade, recolocando o papel dos cidadãos e da competência de cada um para exercer os direitos e deveres democráticos com a finalidade de sair do conformismo generalizado, numa época de retorno ao liberalismo de mercado e de esgotamento ideológico.
Para ele, o que caracteriza o mundo contemporâneo, são as crises, as contradições, as oposições, as fraturas, mas sobretudo, a insignificância, detectada tanto no pensamento de esquerda como no pensamento neoliberal.
Afirma que a classe política não tem nenhum programa e que sua finalidade é ficar no poder ou retornar ao poder sendo capazes, para isso, de qualquer coisa. Se necessário, vira-se a casaca, porque percebe-se que as histórias contadas para chegar ao poder não são aplicáveis.
Explica que para se fazer política são necessárias duas capacidades que não tem relação entre si. A primeira é chegar ao poder. A segunda consiste em, uma vez estando no poder, com ele fazer alguma coisa, ou seja, governar. E complementa afirmando que nada garante que alguém que sabe governar saiba por isto chegar ao poder.
Castoríadis afirma que o que vivemos hoje é uma pseudodemocracia, pois democracia representativa não é democracia. Eles [os políticos] representam a si mesmos ou representam interesses particulares. Segundo ele, dizer que alguém nos  representará por cinco anos de maneira irrevogável equivale a dizer que abrimos mão de nossa soberania enquanto povo. Citando Rosseau, reforça esta ideia: “os ingleses crêem que são livres porque elegem representantes a cada cinco anos, mas só são livres um dia a cada cinco anos, o dia da eleição.” Mas até nisso, comenta, não são livres. “A eleição é fraudada não porque se violem as urnas, é fraudada porque as opções são definidas de antemão. Ninguém perguntou ao povo sobre o que ele quer votar.” (p. 30)
Para o autor, a exemplo do que afirmou Aristóteles, cidadão é quem é capaz de governar e ser governado. No entanto, esclarece que o que há é uma contra-educação política e que enquanto as pessoas deveriam habituar-se a exercer todas as espécies de responsabilidades e a tomar iniciativas, habituam-se a seguir opções que outros lhes apresentam. Podemos destacar aqui, o conceito de heteronomia usado por Bauman, ou seja, a sujeição de um indivíduo à vontade de terceiros.
Afirma ainda, que vivemos hoje uma época de dissolução das ideologias. Explica que nas sociedades modernas havia ainda um conflito social e político vivo, as pessoas se opunham, se manifestavam e que hoje o que se vê é um recuo das pessoas, por acharem que não vale a pena se envolver, que nada se pode fazer.
Questionado sobre por que não há oposição ao liberalismo, afirma que existe hoje uma espécie  de terrorismo do pensamento único, de um não pensamento, um pensamento liberal único ao qual ninguém ousa opor-se.
Assim como Bauman, Castoríadis só vê possibilidade de transformação a partir do ressurgimento de uma potente crítica do sistema e do renascimento da atividade das pessoas, de sua participação na coisa comum.
Sobre a formação do cidadão generalista e do cidadão especialista para exercer a política, explica: “A política não é um assunto de especialistas. Não há ciência da política.” (p.40) Portanto, complementa afirmando que são necessários técnicos que dêem assessoria aos políticos, mas que estejam a favor do povo e não compactuando com os políticos. E as pessoas aprendendo a governar, governando.
Completando esta ideia, enfatiza que as pessoas precisam ser educadas na coisa pública, que as escolas precisam ensinar as coisas públicas como as leis, e acrescenta: “seria preciso ensinar uma verdadeira anatomia da sociedade contemporânea: como ela é, de que modo funciona. (p. 44)
            Quando perguntado sobre junto de quem e contra quem lutaria, Castoríadis responde que lutaria junto a todo mundo e contra o sistema. Afirma que a sociedade capitalista hoje é uma sociedade que corre para o abismo, porque é uma sociedade que não sabe autolimitar-se. E conclui falando sobre liberdade citando Tucídides: É preciso escolher: ou descansar ou ser livre. E complementa: “liberdade é atividade, e a atividade que sabe colocar seus próprios limites.” (p.54).



quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Mundo da Pseudoconcreticidade e sua Destruição

Karel Kosik foi um militante e filósofo marxista de origem tcheca. Uma das suas principais e notáveis obras é o livro Dialética do Concreto, publicado em 1963 que lhe valeu reputação internacional como um dos mais importantes filósofos do marxismo humanista, obra da qual fora extraído o texto que passamos a sintetizar.
O mundo da pseudoconcreticidade diz respeito a existência autônoma dos produtos do homem e a redução destes ao nível da práxis utilitária.
De acordo com o autor, a atitude primordial do homem sobre os fatos, coisas e situações não é a de um sujeito cognoscente, ou seja, daquele que toma conhecimento e examina a realidade para depois inferir uma ideia, mas de um ser prático agindo sobre a realidade de forma objetiva a partir de seus interesses imediatos.
Desta forma, “o indivíduo cria suas próprias representações das coisas e elabora todo um sistema correlativo de noções  que capta e fixa o aspecto fenomênico da realidade”, (p.10) distanciando-se da essência, da compreensão das coisas e da realidade. O fenômeno indica a essência e, ao mesmo tempo, esconde. A essência se manifesta no fenômeno, mas de modo inadequado, parcial ou apenas sob certos ângulos e aspectos.
Ao mundo da peseuconcreticidade pertencem: o mundo dos fenômenos externos, que se desenvolve a parte dos processos essenciais, o mundo das coisas fetichizadas; o mundo das representações comuns e o mundo dos objetos fixados, que dão a impressão de serem coisas naturais.
O mundo que é apresentado ao homem não é o mundo real, é o mundo das aparências embora esse mundo tenha fundamento e seja considerado como real. Para perceber a estrutura das coisas ou a “coisa em si” é necessário um esforço e um desvio e para isso é necessário que o homem, já antes e iniciar qualquer investigação, tenha consciência  do fato de que existe algo suscetível de ser definido como estrutura da coisa e de que existe uma oculta verdade da coisa.
O processo dialético emerge como condição de desreificar os fatos e fenômenos. A coisa. Como a essência não se manifesta diretamente, deve ser descoberta mediante uma atividade peculiar, aí entrando o trabalho da ciência e da filosofia.
O conhecimento é a própria dialética em uma das suas formas, é a decomposição do todo, sem a qual não há conhecimento. Assim, o pensamento que destrói a pseudoconcreticidade é um processo do qual “sob o mundo da aparência se desvenda o mundo real; por trás da aparência externa se desvenda a lei do fenômeno; por trás do movimento visível, o movimento real interno; por trás do fenômeno, a essência.” (p. 16)
A realidade- muito bem destacada pelo autor- oculta pela pseudoconcreticidade, é o mundo da práxis humana. É a compreensão da realidade humano-social como unidade de produção e produto, de sujeito e objeto, de gênese e estrutura. O mundo real não é portanto, um mundo de objetos “reais” fixados. É um processo de curso no qual a humanidade e o indivíduo realizam a própria verdade, é um mundo em que a verdade não é dada e predestinada, não está pronta e acabada. “A destruição da pseudoconcreticidade significa que a verdade não é nem inatingível, nem alcançável de uma vez para sempre, mas que ela se faz; logo se desenvolve e se realiza". (p. 19)


terça-feira, 1 de abril de 2014

Diferenças, Aprendências e Resistências em Tempo de Escola para Todos

Diferenças, Aprendências e Resistências em Tempo de Escola para Todos

Pensar em inclusão passa por pensar em uma série de atravessamentos e compreensões que vamos construindo nas relações sociais que estabelecemos. Avaliar como pensam os professores e percebem a diferença em sala de aula parece ser análise relevante para o melhor entendimento de questões como aprendizagem e desenvolvimento de sujeitos que necessitam da interação sem que lhe sejam negadas suas especificidades. Perceber que existem diferentes maneiras de olhar a diferença pode explicar porque para um mesmo sujeito podem-se entrever possibilidades ou dificuldades.
 A sociedade, e a escola como produção desta, definiram ao longo do tempo padrões, normalizações, lugares e posições que embora pareçam produções naturais são criações sociais que definem  e subjetivam o outro. Temos aí, os que aprendem e os que não aprendem, os que possuem condições de, e os que não acompanham, os inteligentes e os fracassados, os que avançam e os repetentes, os destaques e as escórias.
Uma escola competente é a que forma indivíduos competentes. Competência lida aqui como a capacidade de se sobressair, de competir, de formação do indivíduo cientificamente preparado dotado de habilidades cognitivas que permitam o acesso aos bens produzidos  e de capacidade de construir inteligentemente meios de sobrevivência. Desvaloriza-se e menospreza-se,  na maioria das vezes, habilidades outras que não estas. A cognição como capacidade que encontra-se no topo da pirâmide educacional, estando todas as demais habilidades numa escala inferior.
O sentido que se dá, assim para competência  é também  uma invenção social, enredada em fortes relações de poder definida por um eu superior, "normal", impositivo.
Quando o professor se refere ao aluno dizendo "ele nao aprende", pode estar dizendo: ele não aprende o que lhe estou ensinando, da forma como eu estou lhe ensinando e no tempo que estou determinando, o que não é por si só, condição para o fracasso.
Esvaviar-se dessa construção negativa dos sujeitos em situação de aprendizagem, é entender que o discurso da não aprendência é um discurso inócuo, vazio, acientífico e que revertê-lo pressupõe desnaturalizar verdades, rever conceitos e buscar alternativas de (im)permanência dos modos de ser e estar em sala de aula,  "é pensar que os diferentes aprendem de uma forma peculiar e que mais do que diagnósticos precisamos problematizar e negociar outras representações para estes sujeitos. Representações que nos permitam pensar e ver como legítimas outras formas de ensinar e aprender indicadas pelos próprios sujeitos, forjadas nas relações com esses grupos culturais" [Fabris e Lopes, 2000].
Nesse sentido, a diferença precisa ser lida não como oposto de igualdade. O que é diferente, não é pois aquilo que não é igual, mas aquilo que não busca a homogenização no mesmo, mas quer manter e ver reconhecidas suas especificidades. Não é algo a ser eliminado, completado, ou corrigido. Não sao, os diferentes, sujeitos que devam apenas serem respeitados ou tolerados, uma vez que  são estes, princípios fundamentais à todo ser humano.
O próprio termo inclusão remete a algo que estaria fora. Não se nega aqui, a existência desse fato, o que se propõe é a problematização de questões para as quais não existem embates. O problema da diferença não está posto no seu âmago, uma vez que sendo todos diferentes, é um signo da humanidade, mas reside na construção social e na compreensão desta enquanto falta, incompletude, algo a ser tolerado. O diferente traz em si, aquilo que eu igual não desejo, e que como tal precisa ser corrigido, modificado, normalizado para que este possa, como eu,  estar dentro, fazer parte. 
Para normalizar é preciso portanto, reforçar no aluno aquilo que lhe falta, trabalhar conceitos e habilidades que este ainda não alcança, recuperar. Ou quando isto não acontece, repetir, até que este consiga um mínimo necessário ou quando, percebendo-se que não atingirá o esperado, empurrá-lo para a série seguinte. Assim perpetua-se na escola espaços de não aprendizagem para os diferentes e reforça-se o estigma de fracassado que passa a fazer parte da identidade desses alunos.
Não se trata aqui de negar os déficits cognitivos. Eles existem. Não se trata também de induzir ao abandono intelectual aqueles que, por algum motivo não apresentam condições de aprendizagem da forma como acontece com a maioria dos alunos que recebemos em nossas escolas. Trata-se sim, da não generalização do termo deficiência. Ninguém é deficiente em tudo e todas as deficiências são singulares. É necessário, pois abrir espaços e apresentar possibilidades de avanço, buscando formas alternativas que não estejam vinculadas a um padrão. Trabalhar os sujeitos como seres únicos e aprendentes em potencial, desde que sejam reduzidas as ações de enquadramento e dadas as condições devidas para a aprendizagem, ultrapassando como nos diz Paulo Freire, a consciência ingênua que faz do nosso fazer pedagógico um ato descompromissado, sem reflexão, sem crítica, atrelado à permanência e à tradição.

Bibliografia:
LOPES, Maura Corcini; DAL'IGNA, Maria Claudia (org.) In/Exclusão: Nas Tramas da Escola. Editora ULBRA, Canoas, 2007

domingo, 29 de setembro de 2013

Avaliação da Aprendizagem na Escola

Algumas ideias sobre avaliação da aprendizagem em conversa com os professores da Escola de Educação Básica Francisco de Campos.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ciências Sociais, Violência Epistêmica e a Invenção do Outro



A leitura original  a qual precede a esta postagem  encontra-se disponível no link abaixo. Trata-se de uma reflexão do filósofo colombiano Santiago Castro Gómez acerca da construção de identidades na modernidade e na pós modernidade.

Fiz um link desta leitura com a de um post já publicado aqui, no qual trago uma reflexão sobre histórias únicas, estereótipos e outros enquadramentos, análise feita a partir do vídeo que trata da leitura da escritora nigeriana Chimamanda Adichie sobre histórias únicas que lhe foram contadas e de como isso pode interferir na formação de povos, culturas e sujeitos, dificultando a comunicação intercultural.
Texto e vídeo, nesta entrada:

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Curso Salto para o Futuro - Atendimento Educacional Especializado

Nos dias 06 e 07 de novembro, a convite da querida Maristela Zuquelo, coordenadora do Programa Salto para o Futuro,  participei de uma das etapas de formação sobre o Atendimento Educacional Especializado. Dentre as falas, abordei sobre o funcionamento, a caracterização, os objetivos, a fundamentação legal e teórica e as estratégias de intervenção para os alunos matriculados no Serviço de Atendimento Educacional Especializado - SAEDE realizado na Apae de Curitibanos. 
        O Serviço de Atendimento Educacional Especializado tem por objetivo qualificar a estrutura do pensamento do educando para o desenvolvimento dos  processos mentais superiores, através de metodologias, estratégias e recursos pedagógicos, que possibilitem a apropriação do conhecimento científico. Dentre as questões trabalhadas estão às relacionadas à: autonomia, diferentes formas de linguagem, concentração, atenção, memória, organização, análise e síntese, classificação, comparação, orientação espacial e temporal, resolução de problemas e textualidade.
     Dentre as estratégias sugeridas destacamos o trabalho com blocos lógicos, jogos psicopedagógicos  e mapas conceituais. 
          
 


domingo, 11 de novembro de 2012

Faith Judge: O que aprendi com meus irmãos autistas



Indicação do professor José Antonio Klaes Roig, editor do blog Educatube, Faith Judge: O que aprendi com meus irmãos autistas é um relato simples  com uma bela mensagem.  Dentre as falas mais interessantes destaco:
"A normalidade desconsidera  a beleza que a diferença nos traz."
O fato de sermos diferentes não significa que um de nós esteja errado. Significa apenas que há um tipo diferente de certo.
E para finalizar: Se eu puder dizer apenas uma coisa para vocês será: Vocês não precisam ser normais, vocês podem ser extraordinários.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

História de Carly

Ninguém sabe o que é ser eu. O que é não poder sentar quieta porque parece que minhas pernas estão pegando fogo. É como se centenas de formigas estivessem escalando meus braços.

É assim que Carly se explica. Diagnosticada com autismo severo associado a retardo mental, Carly vive submersa em seu próprio mundo. Impossibilitada de explicar o que sente, durante muito tempo foi submetida a sessões intensas de terapia.
Aos onze anos, no entanto, algo surpreendente acontece e diante de uma tela de computador Carly consegue dizer um pouco do que sente. Carly pede ajuda.
Diante de sua história, alguns conceitos tornam-se questionáveis. Viveria o autista num "mundo próprio"e fechado? Nas palavras do pai,  Carly se vê como uma pessoa normal dentro de um corpo que ela mesma não controla.
De fato, há muito mais ocorrendo dentro deles do que pensamos.
Temos, como pais e educadores, conseguido enxergar além  de suas crises, de seus déficits, de seu isolamento e de seus rígidos e restritos padrões de comportamento? Que olhares e representações temos construído sobre a pessoa com autismo? Quanto subestimamos suas capacidades? Quantas vezes nos referimos a eles suspeitando que não nos compreendem? Temos buscado alternativas para que se comuniquem? Acreditamos no seu potencial?
A história de Carly nos faz refletir ainda sobre o poder da tecnologia como ferramenta capaz de facilitar a vida de um grande número de pessoas com deficiência e possibilitar o acesso ao conhecimento dando condições ainda, para que interajam e possam expor suas ideias e sentimentos acerca do mundo que os rodeia.
O desafio maior que se coloca diante de nós, educadores é adentrar este universo ainda desconhecido e obscurecido da pessoa com autismo. Calçar seus sapatos e caminhar com eles.

 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Participação no 1º Encontro Regional dos NTEs do Planalto e Meio-Oeste Catarinense.

Aconteceu no dia 02/04/2012 o Primeiro Encontro Regional dos NTEs do Planalto e Meio-Oeste Catarinense, evento em que participei conversando com as equipes dos NTEs da região com a palestra Tecnologias Educacionais, para quem precisa se incluir. Na oportunidade, falei sobre o contexto atual da educação e as possibilidades de inclusão a partir dos princípios e do trabalho com as tecnologias, apresentei algumas reflexões e recursos para acessibilidade, bem como, alguns softwares que podem potencializar o desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual.

Agradeço ao coordenador do Núcleo de Tecnologias de Curitibanos, Jorge Yoneda pelo convite e à sua equipe pelo carinho e acolhida.

View more presentations from eliss.




quarta-feira, 21 de março de 2012

O Líder da Classe

Brad Cohen é o personagem central do filme "O Líder da Classe". O verdadeiro Brad convive com sua companheira - como refere-se no filme - a Síndrome de Tourette, desde os seis anos de idade. Vive hoje em Atlanta, é casado com Nancy, mantém uma associação para pessoas com a síndrome e faz o que lutou uma vida inteira para concretizar: Ser professor.

Leve, engraçado e uma grande lição de vida e persistência. Assim é o filme. Brad nunca foi vítima da sua deficiência. Do contrário. Usou a síndrome para criar, desde muito cedo uma filosofia de vida, dedicando a maior parte do seu tempo perseguindo um ideal.

Vygotsky em seus escritos sobre Defectologia e Compensação teoriza que existem dois tipo de deficiência. Uma, a deficiência primária, de causa orgânica; outra, secundária, sendo esta, medida socialmente e remetendo ao fato de o universo cultural estar construido em função de um padrao de normalidade.

A teoria focaliza a distinção entre estas concepções, enfatizando a deficiência orgânica enquanto diferença, como um signo da humanidade; enquanto a secundária, como grande limitadora do indivíduo. Para ele, em grande parte das vezes, " As consequências sociais do defeito acentuam, alimentam e consolidam o próprio defeito"

O defeito tratado na teoria de Vygotsky, é assim compreendido como uma invenção social. O desenvolvimento da criança com deficiência não está condicionado apenas ao fator orgânico, mas, fundamentalmente à forma como a deficiência é significada pelo grupo social do qual faz parte. Assim, o déficit orgânico da deficiência torna-se subordinado às ações culturais. Como resultado e em decorrência dessse olhares, consolidam-se ações que poderão, ou serem adequadas, ou empobrecer o processo de desenvolvimento destes sujeitos. 

 O filme ilustra de forma muito pontual essa fala. Não é a deficiência que limita Brad, é a forma como é significada pelas pessoas. A deficiência cria nele um desejo que funciona como elemento propulsor, uma espécie de compensação. No entanto, seu desejo esbarra em um contexto social que não vê possibilidades, que inviabiliza, que não cria caminhos alternativos. Sua deficiência é limitante, não porque o seja nas suas condições orgânicas, mas sociais. Brad é visto como deficiente, portador de uma síndrome que de modo generalizante incapacita e limita o sujeito a atuar de forma ativa e eficiente no seu espaço. Para as pessoas Brad não tem personalidade, não tem nada que o diferencie de outras pessoas com deficiência. Brad não é outra coisa senão sua síndrome. A reação subjetiva aos limites inerentes à deficiência e o lugar que ocupa essa condição na totalidade de suas características são desconsideradas.

Se tivesse que sintetizar a trama em uma frase escolheria a de Rubem Alves: O que muda não é a diferença. São os olhos.

A realidade não é algo fixo, estático e imutável. A realidade é dinâmica. E pode ser só uma ilusão.



sábado, 15 de outubro de 2011

Nova série produzida pelo Canal Futura investiga desempenho dos países líderes em educação

O que Coreia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e a província de Xangai, na China, têm em comum? Todos estão bem colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a qualidade da educação em cada país por meio do desempenho dos estudantes. Mas o que cada um deles tem de diferente? Isso é o que vai mostrar o “destino: educação”, novo programa do Canal Futura que colocou a câmera na mala e seguiu viagem para investigar o que leva os sistemas educacionais desses países a estarem entre os melhores do mundo. 

Em formato de documentário, destino:educação terá sete episódios. Os seis primeiros vão mostrar a realidade educacional país a país. Intimista, a série entra na sala de aula, se aproxima dos alunos, conversa com professores e vai até a casa dos estudantes para mostrar a rotina de estudos e conversar com os pais. A partir desses personagens, constrói o contexto político, histórico, social e cultural do local, além de colher depoimentos e análises de especialistas, entre eles o criador do PISA, Andreas Schleicher. No sétimo, o público acompanha um episódio mais geral para o fechamento de tudo o que se viu na série.

O objetivo é oferecer um olhar internacional sobre a educação sem buscar fórmulas prontas ou julgamentos, mas destacar as soluções e estratégias encontradas em cada sistema educacional a partir da visão somente daqueles que estão inseridos na realidade retratada. Para evitar distorções, o programa foi até escolas que representavam o padrão nacional, evitando as que estavam muito acima ou abaixo da média.

Qual a preocupação dos governos com o ensino? O que eles têm feito para melhorar os indicadores de qualidade e como isso é percebido no aprendizado desses alunos? Qual a articulação entre as políticas macro e as práticas do dia a dia escolar? Como valorizar e formar o elemento-chave do processo, o professor? Quem são as pessoas que estão por trás dos bons resultados do PISA? A família tem realmente papel decisivo na educação?. Essas são algumas das questões debatidas. (fonte:http://www.futura.org.br/nova-serie-investiga-desempenho-dos-paises-lideres-em-educacao/)

Os episódios serão exibidos no Canal Futura e  podem ser acessados nesta entrada, estando ainda disponíveis no acervo do FuturaTec, a videoteca do Canal Futura.

Criado a partir dos resultados do PISA, no qual o Brasil ocupa a 53ª colocação, a série favorece refletirmos sobre a atual situação da educação no país e sobre o quanto e como ainda podemos avançar tendo como referência experiências de sucesso de algumas nações.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

sobre lanternas verdes, anéis ou só filosofia barata

fui ao cinema esta semana com  Gianluca ver Lanterna Verde. não curto ficções científicas, mas Lanterna Verde tem um ponto, um algo, um quê daquilo que nos faz pensar nas nossas  durezas  reais. primeiro, a lição do medo. humanos temem o medo, humanos excepcionalmente humanos, aprendem a lidar com o medo e o encaram. assim, de frente, feito toureiro  e touro.

dizem  que o medo é responsavel pela preservação da espécie humana, não fosse ele, e quem sabe, a raça ja estivesse extinta. não duvido. mas a gente não quer temer e o mundo não tolera gente medrosa. somos induzidos a todo momento a demonstrar  força e coragem. ter medo é coisa de fracos. você não pode fraquejar, você nasceu pra vencer, você pode, você consegue, você, você e você! as prateleiras das livrarias estão abarrotadas de guias prometendo verdadeiros milagres pra quem aprender a não se curvar diante dele. até que você descobre que nessa luta é você com você ou no máximo, você com sua terapeuta ou você com seus remedinhos. você não tem nada a provar, mas você não tem opção. e quando o medo não te paraliza, ele te empurra. e quando você o vence, acontece algo como se um punhado de energia retornasse ao teu corpo. uma reação química começa nas entranhas das suas células, entra na corrente sangúinea e sai pelos poros de uma forma fulgurante.

outro ponto que me levou a apreciar a trama, foi a possibilidade de o representante da ordem dos lanternas na terra, assim como todos os demais, criarem realidade com tudo que a imaginação de suas cabeças fosse capaz de projetar. ficção pura, ou nem tanto?

a realidade é o que eu crio, pois meu cérebro não distingue entre uma imagem “real” e uma imagem “imaginária”. sou eu quem cria as estruturas, os eixos, as categorias, as gavetinhas. portanto, posso criar outras estruturas de pensamento e portanto, eu posso criar sim uma realidade particular.

eu sabia muito bem fazer isso, e garanto, funciona.  Sigo, reaprendendo a projetar gostosuras e bonitezas. afinal, "a tinta de escrever, por suas forças de alquímica tintura, por sua vida colorante, pode fazer um universo, se apenas encontrar seu sonhador." (Gastom Bachelard)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Taare Zameen Par – Every Child is Special


Belo, sensível, impactante...

Taare Zameen Par – Every Child is Special, com tradução de " Como Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial" é um filme de produção indiana  e uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan, que no filme assume o papel do professor Ram Shankar Nikumbh.

O filme é o relato da história de Ishaan Awasthi, um garoto de nove anos, disléxico, que é incompreendido pela escola e sofre pelo desconhecimento e abandono dos pais, que se preocupam apenas em torná-lo produtivo, competente para o trabalho e apto à concorrência.

Na escola, Ishaan é dispersivo e encanta-se com um mundo que só ele vê. A mente criativa e prodigiosa do menino é ignorada pelos professores. Na sala de aula, os algarismos da prova adquirem vida e travam com ele, uma incrível batalha intergalática. Ishaan ignora os significados dos códigos, para ele o  mundo é de um colorido e de um ritmo bastante diferente do que vive na sala de aula. Ele se encanta com o vôo das borboletas, com os pássaros que alimentam os filhotes  e com os pingos da chuva nas poças d'água.  As nuvens são seu chão firme. O menino sonha e seus sonhos não cabem no currículo escolar.

Diferente dos outros, Ishaan  sofre. Rotulado e estigmatizado, se isola.  Reprova de ano e é encaminhado pelos pais a um internato que costuma usar como marketing institucional explicar aos pais que são os melhores domadores de cavalos selvagens. Ishaan é entregue e própria sorte, abandonado intelectual e emocionalmente, tido como preguiçoso, relapso, desorganizado. Nada mais faria sentido pra ele, se Ram Shankar Nikumbh, um professor substituto não cruzasse seu caminho e o resgatasse desta triste história.

“Taare Zameen Par – Every Child is Special" , é um filme  questionador e instigante. Nos faz pensar sobre tantos Ishaans que por nós podem ter passado, incompreendidos, encaminhados equivocadamente  à escolas especiais, excluídos, rotulados.  Nos apresenta possibilidades de repensarmos os discursos que usualmente utilizamos para constituir os sujeitos os quais denominamos não aprendentes. Surge o desafio de que  nos interroguemos sobre a educação, a escola, o currículo, as competências, os alunos e as alunas, as diferenças, os olhares, os discursos, o padrão, o normal,  o fazer e o nosso não fazer pedagógico. Desafia-nos  a desapergar-nos da ideia das correções, para pensarmos outras relações de ensino e aprendizagem a partir das diferenças e a possibilidade de uma inclusão das diferenças na escola, uma oportunidade para estudar e experimentar pedagogicamente outras representações de diferença  que  escapem ao normalmente instituído pela escola como o lugar do desvio, da anormalidade ou da deformidade. Chama a atenção para como temos olhado e significado a "falta de atenção", "os erros", o "mau comportamento", "a falta de interesse", 'a incapacidade de ler e escrever" e tantas outras  formas de interpretarmos o cotidiano de uma criança que não está aprendendo.

É um filme que emociona pela produção, pela trilha sonora, pelas imagens, pela sensibilidade com que  foi criado, mas acima de tudo, pelo sentimento de que pela educação podemos impregnar de sentido a vida das pessoas e como dizia Paulo Freire, entender que  ensinar e aprender não pode se dar fora da boniteza e da alegria.

É preciso que ensinemos os saberes do mundo, mas também, que ensinemos e aprendamos os saberes do coração.

Agradecimento especial pela indicação deste filme ao amigo José Antonio Klaes Roig, educador e editor do blog Educatube, o qual indico a todos os educadores e leitores deste espaço.

Descrição da Imagem: Cartaz do filme - professor e aluno, de perfil sobre fundo manchado azul e amarelo e o nome do filme - Taare Zameen Par.