quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Excepcionais...Em que?

Esta é uma semana diferente para todas as APAEs do Brasil. Com diferentes nomes, algumas ainda preservam o nome "Semana do Excepcional". Publiquei esse texto no ano passado no Conexão Especial, transcrevo ele aqui.

Planejando algumas atividades para esta semana me ocorreram algumas idéias que gostaria de partilhar com os leitores desse espaço.Esta é para todas as Apaes do Brasil uma semana especial, ainda que longe de ser excepcional.
Recheada de atividades e comemorações a Semana do Excepcional está ainda mais como uma semana de reflexões do que de comemorações.
Tivemos sim, algumas conquistas importantes, mas o caminho ainda é longo e a luta pelos ideais de cidadania e garantia de direitos da pessoa com algum tipo de deficiência ainda parecem um pouco distantes de se concretizarem plenamente.
Se pensarmos um pouco na trajetória histórica do deficiente talvez possamos entender melhor o porquê da pessoa com necessidades especiais ser ainda hoje, alvo de preconceito e discriminação.
A supervalorização e o culto ao corpo perfeito entre os gregos, a questão da deficiência tida como punição dos deuses entre os hebreus, a busca pela eugenia ( raça perfeita) pelos índios e povos nômades, caracterizado como método de seleção natural, são momentos da história em que tais práticas se justificavam, mas que não se sustentam nos dias de hoje, tendo em vista a evolução da espécie humana, do conhecimento, da cultura e da espiritualidade.
Escrevendo este texto, de forma bastante intencional e tomando o cuidado de traduzir com rigor o sentido da palavra, busquei no dicionário a palavra EXCEPCIONAL. Eis os sinônimos: relativo à exceção, anormal, excêntrico, extraordinário, esquisito, incomum. Um termo carregado de preconceito e que reforça o estigma de inferioridade que marca tão profundamente a pessoa com algum tipo de limitação ou deficiência.
De acordo com estatísticas 10% da população tem algum tipo de deficiência, mas o nosso grande desafio, digo nosso, referindo-me principalmente a nós educadores é deslocar a ênfase da deficiência para a da capacidade, das potencialidades, ou como já ouvi por aí: “ É preciso olhar o copo pelo que já foi preenchido e não pela parte que falta para enchê-lo.”É necessário pois, entendermos que estes 10% não representam uma porcentagem à parte, é preciso sim, que nos convençamos que esta parcela representa uma parte insubstituível do 100%. A isto chamo de inclusão.
Por falar em inclusão é bastante comum ouvirmos de pessoas ou de instituições que estas ACEITAM as pessoas com necessidades especiais, sem que se dêem conta daquilo que está oculto, por detrás dessa fala, expressão que reforça, ainda que de forma inconsciente nossa condição de superioridade. Ou seja, quando digo “eu aceito”, me julgo acima, melhor, com condições de.
É preciso revermos os parâmetros que definem normalidade e anormalidade, especial ou deficiente, inclusão ou exclusão. Analisando uma das produções de meus alunos, postadas neste blog, não pude fugir ao questionamento: “ Quem seria o deficiente nesta situação, eu ou ele?” Proponho a todos este exercício, acredito que esta reflexão possa também povoar a mente dos leitores deste texto.
E que possamos rever nossos conceitos...
Excepcionais??? Acho que excepcional é a condição de superação destas pessoas diante de tantas adversidades.

2 comentários:

Maria das Graças disse...

Não gosto do termo 'excepcional"no centro optei por usar "nossos alunos especiais" nos convites que enviamos aos pais,para assistirem a uma apresentação da banda do Batalhão daPM.

Regina de O. Heidrich disse...

Você recebeu o prêmio Dardos.
Dê uma olhada no meu blog

http://inclusodepneesnaescola.blogspot.com/
Um abç
Regina