quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Escola Mata a Criatividade?

A professora Suzana Gutierrez postou no seu blog dois vídeos de Ken Robinson, com o tema: A Escola Mata a Criatividade?





A primeira idéia que me vem à cabeça é que sim. Apesar de apregoar o contrário e de ter este ítem tão belamente exposto em seus objetivos educacionais, a escola está muito mais para estimular a reprodução do que a criação.

Que o ser humano é dotado de uma capacidade criativa e inventiva fantástica, isso é inegável. Capacidade esta que com o passar do tempo acaba sucumbindo diante do pouco estímulo ou do treinamento que condiciona mentes e inibe o poder criador.

O que denominamos nas crianças de mania de inventar moda nada mais é do que um arsenal de idéias criativas colocadas em prática diariamente.

Mas essa criança precisa ir pra escola. Lá existem regras, um planejamento a ser seguido e conteúdos a serem trabalhados. Ah! E não é permitido inventar muita moda! Lá, antes de serem crianças, estes serzinhos são alunos (sem luz) portanto precisam aprender e apreender muitas coisas que ainda não sabem. Precisam entender conceitos, colar bolinhas de papel, pintar máscaras de coelhinho da páscoa e obedecer as regras. Em algumas destas escolas, elas não aprendem quando ficam curiosas, porque as curiosidades são divididas em períodos e não importa se quando a professora for ensinar elas não estejam mais interessadas ou já tenham aprendido aquilo sozinhas.

Quanto mais crescem mais elas param de inventar moda. Não porque elas não gostem. Elas ainda gostam muito, mas deixam de lado porque entendem que precisam aprender as coisas importantes que se aprende nas escolas. A aula de artes e educação física são as que elas mais gostam porque nessas aulas elas ainda podem inventar moda.

Entendem também que os professores que ensinam as coisas mais importantes são rigorosos. Mas são muito inteligentes, mais até do que os professores de educação física e artes, então elas se dão conta que não dá para ser alguém na vida fazendo arte ou inventando moda, que para conseguirem isso, precisam estudar muito e aprender muitas curiosidades. Embora elas já não tenham muitas, o professor tem e vai ensiná-las e quando perguntar, devem repetir exatamente da forma que o professor (iluminado) falou. Elas aprendem muito rápido que não é bom pensar diferente do professor, e que basta pensar igual para tirar uma boa nota na prova. Então elas desaprendem a ter idéias.

Alguns alunos não aprendem as coisas importantes, mas eles são muito bons em fazer arte. Aí eles ficam fazendo arte na mesma série, porque quem gosta de inventar moda e não aprende as coisas importantes não pode passar de ano. As vezes, os alunos que demoram a aprender as coisas importantes vão para outra escola onde lá se faz muita arte e as coisas importantes são ensinadas de um jeito diferente.

As crianças adoram estas escolas porque lá elas se sentem tão importantes quanto os colegas que aprendem coisas importantes muito rapidamente nas outras escolas, lá elas aprendem que todas as coisas são importantes e elas não sentem-se diferentes, porque lá, todos são diferentes.

Algumas das escolas que ensinam coisas importantes estão aprendendo a trabalhar com os alunos que gostam de inventar moda e com aqueles que precisam aprender coisas importantes de outras formas.

E nessas escolas está acontecendo uma coisa muito interessante. As crianças que aprendem coisas importantes muito rapidamente estão ajudando as outras a aprenderem também, estas, por sua vez estão ensinando uma coisa tão importante quanto as coisas importantes que elas já sabiam, estão mostrando que as pessoas não são todas iguais como elas pensavam. E que coisas importantes não são só as coisas que enchem suas cabeças.

6 comentários:

Flávia Sampaio - Educadora disse...

Olá Elis... Fiquei muito feliz com sua visita... Volte mais vezes, a casa é sua!!
Belíssimo texto, rico, instigante e criativo.
Agora, pergunto: As escolas conhecem e reconhecem que as crianças têm seus ritmos e tempo próprios de aprender. Então, por que não faz uso deste conhecimento? Por que continuam reproduzindo coisas como se desconhecessem a verdade? Por que não iniciam a valorização da qualidade do que fôr aprendido e não na quantidade de conteúdos?
É, creio que ainda teremos um longo caminho pela frente, ou para tentar responder tantos "por quês" ou para mudar esta postura.
Um grande abraço.
Flávia Sampaio

Suzana Gutierrez disse...

Oi Elis

Na educação física aprendemos muitas coisas enquanto jogamos e nos divertimos. Coisas pouco importantes como aprender a lidar com frustrações ou superar dificuldades ou, ainda, cooperar.

(coisas pouco importantes segundo a ótica da maioria das escolas)

Infelizmente, vivemos num mundo fundamentado na quantidade e é a quantidade que comanda a escola. É a quantidade que seleciona quem vai para a Universidade e quem sai dela.

Ainda bem que a educação física não cai no vestibular :)

abração!

Patrícia. disse...

Olá, gostei muito dos vídeos e concordo com o que você escreveu em seu texto. Infelizmente muitas escolas ainda matam a criatividade dos alunos, no entanto penso que esta realidade está mudando. Pouco a pouco, nossas crianças estão conseguindo a oportunidade de mostrar o que são capazes de fazer, criar livremente e serem reconhecidas por isso. Beijos...

Luiz N.Vieira disse...

Olá Elis!
Que maravilha de postagem, estou certo de que ainda temos muito que evoluir quando lidamos com esse tipo de abordagem. Lembro-me, quando o Professor Luckesi, numa de suas palestras em que comparava a ação do professor na ocasião, com um médico. Este, mata um paciente aos poucos, durante sua consulta. Olha! você não está nada bem, se continuares assim as coisas podem complicar. Enquanto o Professor mata de vez 40 ao mesmo tempo, em não conhecer e valarizar as aquilo que deveria ser correto! É preciso ter consciência. Apenas relembrando..
Pink Floyd - Another Brick In The Wall

Nós não precisamos de nenhuma educação,
Nós não precisamos de nenhum controle de pensamento,
Nenhum sarcasmo sombrio na sala de aula,
Professores, deixem as crianças em paz. *
Ei! Professor! Deixe as crianças em paz! *
No total, é apenas outro tijolo no muro,
No total, você é apenas outro tijolo no muro...

Rodrigo Penna disse...

Prezado blogueiro(a),
Achei seu blog por acaso procurando notícias sobre o vestibular.
Mantenho também um site gratuito sobre Física:
WWW.fisicanovestibular.xpg.com.br
Resolvi criá-lo há 3 anos, quando cogitei dar aulas em um pré-vestibular gratuito, para alunos carentes, e percebi que não tinha tempo: trabalho em 3 lugares e estou terminando o Doutorado!
Agora que ele encorpou, tenho procurado divulgá-lo mais, principalmente porque os alunos, o mais importante, têm gostado! Há vários outros sites como este, com aulas, exercícios, provas corrigidas e comentadas, vídeos, etc. Diria que o ponto forte do meu, no caso, são as questões corrigidas e comentadas por assunto, onde procurei explicar com calma mesmo o óbvio. Não é um simples gabarito. Talvez daí os elogios que tenho recebido e me animaram.
Assim, você mesmo pode avaliar. Como sei do poder da blogosfera para divulgar informações, às vezes ruins, porém o mais das vezes relevantes, escrevo-lhe para que, caso goste e aprove, possa divulgar no seu blog ou até lincá-lo como indicação. Afinal, nosso objetivo é o mesmo: fazer com que os alunos passem no vestibular e, mais ainda, distribuir um pouco que seja de conhecimento produtivo.
Boa sorte no blog!
Cordialmente,
Professor Rodrigo Penna

Marcelo Rocha Filho disse...

Muito bom o texto!

Tive um amigo na escola, que era o bagunceiro, não estudava para nenhuma matéria, porem era um gênio quando desenhava, até o professor de artes quando viu seus desenhos, ficou em choque.

Mas infelizmente, no mundo que vivemos, o esporte, a dança, a arte, não é valorizada nas escola.

uma triste realidade.