sábado, 8 de maio de 2010

Eu não desejei ser mãe...

Eu não sonhei ser mãe. Sempre achei que mãe era um ente grandioso demais diante de todas as minhas miudezas... Sublime, compreensiva, atenciosa, amável, dedicada, tolerante, bondosa e todos os outros predicados bonitos escritos nos dicionários. Além disso, mãe precisava saber fazer bolinho de chuva, defender a gente do homem do saco e procurar pelo nosso sono que teimava em sumir em dia de trovoada forte. Mãe precisava conhecer muitas histórias e ter paciência de repeti-las quantas vezes a gente desejasse, até decorar. Tinha que conseguir convencer que quando a gente toma banho não há risco nenhum de a gente escorrer pelo ralo, como a água que se esvai. Mãe precisava ter uma força visceral, presença carnal e espiritual para guiar a cria quando de seus enganos juvenis, equilíbrio circense, paciência bovina e sabedoria divina.
Eu não desejei ser mãe...havia uma vaga descrença humana que imputava a mim, o não merecimento do dom.
Um junho qualquer veio para mostrar as meio-falácias das minha teorias. E ele estreiou nesse plano me fazendo compreender que em meio à todas às minhas (reais) pequenezas, o meu ser mãe era o lugar de onde e para onde ele poderia voltar e encontrar o sentimento de amor maior capaz de atenuar qualquer sensação de desamparo.
Entendi que a supremacia de uma mãe não está nos atributos de perfeição que se ligam à ela por analogia. Mas que pra toda imperfeição há um propósito - este sim, supremo de elevação espiritual que nos aproxima de Deus.
Eu não desejei ser mãe, mas desejei conhecer o amor em sua forma mais perfeita.
E sendo, eu aprendi a amar... e a fazer bolinhos de chuva.

Um comentário:

Uma PROFESSORA apaixonada.... disse...

Nada a declarar, meus olhos estão marejados. Eu sempre sonhei em ser mãe, e meu ventre ainda está vazio e o tempo passando....
Beijos