segunda-feira, 28 de julho de 2008

Acessibilidade: além da ótica da caridade ou da obrigatoriedade

figura representando um cadeirante Roteiro de férias, aeroporto de Navegantes, SC. Do lado de dentro observo a movimentação na descida dos passageiros. Uma senhora, a última a descer é carregada por um moço. Algumas pessoas tentam auxiliá-lo dada a dificuldade diante do seu peso e pouca largura da escada o que dificulta a movimentação. Até que finalmente chega ao solo e é colocada na cadeira de rodas. Imaginei o transtorno que fora sua subida.
Esta semana li uma reportagem interessante, um site pornô para cegos que virou fenômeno cult nos Estados Unidos. Chamado Porn for the Blind (Pornô para cegos, em tradução literal), o site oferece clipes sonoros que trazem descrições, gravadas por voluntários, de cenas de sexo disponíveis na Internet. O dado que me chamou a atenção foi que somente no mês de abril o site recebeu mais de 150 mil visitas.
E o que uma coisa tem a ver com a outra?
Tem a ver que o Brasil tem, segundo dados do IBGE algo em torno de 25 milhões pessoas com algum tipo de deficiência, ou seja 15% da população ( censo de 2000 )
Tem a ver que 15% da população é um número bastante razoável e merecedor de atenção e investimentos.
Tem a ver que pessoas com deficiência também consomem, também podem produzir, gerar renda, capital social.
Tem a ver que pessoas com deficiência acessam internet e precisam de sites acessíveis, em contrapartida, geram tráfego, movimentam a economia.
Tem a ver que pessoas com deficiência já não ficam mais internadas em orfanatos ou trancadas em casa, elas estão aí. Também viajam, necessitam de transportes adaptados...
Tem a ver que está na hora de se parar de associar acessibilidade com custos e passar a associá-la a investimentos, lucros... se é assim que a sociedade funciona, é assim que deve ser vista.
Tem a ver que as coisas mudaram, que as pessoas com deficiência hoje também são diferentes, e começa haver, ainda que timidamente um despertar da sociedade para isso, mas é preciso acordar, abrir os olhos, vislumbrar possibilidades.
Na verdade nem precisaríamos estar discutindo essas coisas...Não deveríamos discutir o design universal. Design deveria ser universal por excelência. Design universal é para todos: deficientes, pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência temporária, idosos, obesos, enfim...mas para isso é preciso haver uma consciência universal, holística...
Mas enquanto isso não acontece, continuamos falando em desenho universal, escola inclusiva e outras lógicas não tão lógicas...

2 comentários:

Luiz N.Vieira disse...

Oi Elis!
Cada vez mais continuo frequentador de carteirinha de suas postagens. Veja que maravilha de obra que acabaste de disponibilizar! Sabes que ultimamaente venho buscando informações sobre o que as pessoas portadoras de deficiência enfrentam ao acesso das informações. A acessibilidade, vem sendo temas relevantes.Portanto é necessário uito esforço para que possamos reverter tal situação!
Ab[]s

Profe Elis disse...

Luiz, fico feliz em também poder estar de alguma forma contribuindo e acho que existe uma lógica maior e mais eficiente nessa questão da acessibilidade, que é também a lógica do mercado, infelizmente é essa a realidade com a qual convivemos e acho que é pra ela também que devemos apelar.
Obrigado pelo visita e pelo carinho.