quinta-feira, 3 de julho de 2008

Entre iguais e diferentes

várias formas humanas sobrepostas As vezes eles me fazem rir; noutras, me emocionar; muitas vezes, pensar...
Uma aula, um bate papo virtual...
Ele, Ju...alegre, dócil, talentoso, mãos habilidosas, exímio dançarino, meiguice em pessoa, síndrome de down.
Conversa vai, conversa vem...eis que a professora chama para conversar um aluno...
Do outro lado, um menino de mesma síndrome.
Jú olha para a tela...seus olhos se iluminam , sua boca se abre num largo sorriso, ele exclama como se estivesse diante de um espelho:
_ Ele é igual eu!!!
Ô conversa animada! Dispensa até a apresentação, parece se conhecerem de longa data, muita coisa pra contar, muito por dividir...Uma identificação fisionômica... Mas não só. Talvez de sentimentos, de emoções...Talvez ele descubra que entre tantas pessoas, exista mais um com dificuldades, alegrias, frustrações, desejos, angústias semelhantes às suas.
Esse fato me fez pensar sobre a necessidade de identificação com nossos pares. O outro constrói a minha subjetividade, e muitas vezes, temos no outro o reflexo de nossa própria imagem, daí a necessidade de aproximação com nossos semelhantes. Necessitamos dessa convivência, desse (re)conhecimento.
Por outro lado, mesmo estes iguais são, sob um outro foco, totalmente desiguais.
De modo geral é comum termos uma idéia equivocada de que entre pessoas com deficiência intelectual existe uma universalidade de características comuns à todos, como se todo autista ou síndrome de down fosse exatamente igual à todos em condição semelhante, negando-se a substancialidade destes sujeitos. Não temos todos especificidades? Não somos todos diferentes uns dos outros? Por que com eles seria diferente? A deficiência é uma característica da pessoa, não a própria pessoa.
No entanto, reconhecer-se, identificar-se, ter necessidade da convivência com nossos iguais não significa isolar-se, segregar-se, excluir-se ou excluir.
Conceitos inseparáveis, igualdade e diferença parecem andar sempre juntas. Inclusão e exclusão também. Uma só existe em função da outra. Se tanto apregoamos a tal da inclusão é porque de fato ela ainda não existe, porque ainda existe preconceito, resistência à mudança, exclusão.
Na mesma proporção, necessitamos do convívio com nossos iguais e com nossos diferentes.
Do convívio com as pessoas surgem afinidades e discrepâncias, sendo ambas importantes para a formação do todo humano que somos. Entre iguais aprendemos a nos reconhecer; entre diferentes, a nos respeitar.